Teve início na última quarta-feira (6), no Campos Hall, em Campos do Jordão (SP), a 14ª edição do ADIT Share, o maior fórum de multipropriedade e timeshare da América Latina. O primeiro dia de evento foi pautado por uma palavra de ordem: maturidade. Com um setor que movimenta pouco mais de 100 bilhões em VGV (Valor Geral de Vendas) potencial, o foco dos debates migrou da expansão acelerada para a eficiência operacional e a sustentabilidade dos projetos.
O raio-x do setor

Pela manhã, Caio Calfat e Fernanda Nogueira apresentaram o estudo anual “Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil 2026”, produzido pela Caio Calfat Consulting. Os dados revelaram um movimento de cautela em novos lançamentos, visando o equilíbrio do estoque.
- O estoque médio recuou sete pontos percentuais e passou de 59% em 2025 para 52% em 2026, indicando que o mercado está absorvendo melhor as unidades em construção e prontas.
- O número de empreendimentos recuou de 115 no ano passado para 90 em 2026.
- O volume de VGV vendido atingiu R$ 53,3 bilhões, reforçando que, embora o ritmo de lançamentos tenha diminuído, o interesse do consumidor final permanece sólido.

Durante os painéis matinais, executivos como Gustavo Rezende (GR Group) e Ronaldo Beber (Gramado Parks) discutiram como a gestão de destinos e a entrega da promessa de férias tornaram-se mais cruciais do que a venda agressiva no “deck”.
Experiência do cliente e o modelo timeshare
No período da tarde, as discussões se aprofundaram nos modelos de negócio e na fidelização através dos clubes de férias. Um dos painéis mais concorridos reuniu Lizete Ribeiro (CEO do Grupo Tauá), Wagner Novoli (Jurema Águas Quentes) e Fabiana Leite (RCI) e girou em torno das decisões de produto que determinam o sucesso a longo prazo. Mediação ficou a cargo de João Paulo Mansão, da New time.
”A nossa principal premissa é que o membro do clube seja tratado como VIP, com atendimento diferenciado e experiência personalizada”, afirmou Lizete Ribeiro, destacando as adaptações feitas pelo Grupo Tauá após benchmarking em mercados maduros como o México, mas também fazendo a mea-culpa quando reconhece que esse modelo de clube deve ser destacado da marca mãe, assim como fazem as grandes marcas americanas.
“Entender o cliente é o primeiro passo para que o produto faça sentido a longo prazo”, afirmou Wagner Novoli, citando que o estudo profundo do perfil foi o determinante para optar pelo modelo de timeshare em sua propriedade.

Estratégia e modelagem
Os painéis de encerramento do dia focaram na modelagem de produtos. Especialistas debateram a complexidade jurídica e comercial de definir semanas e o direito de uso, visando evitar o churn (cancelamento) e garantir que o produto financeiro não atropele a experiência hoteleira.
O Adit share segue até o dia 7 com plenárias e, na sexta (8), serão realizadas visitas técnicas na região.



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