A manhã de segunda, dia 27 de fevereiro, teve a sala Shaghai do hotel Pullman Ibirapuera São Paulo toda tomada. A razão do encontro foi o convite da Accor para apresentar os resultados de 2022 e dizer o que está por vir.
O belga Thomas Dubaere, CEO da companhia para as Américas na divisão Premium, Midscale & Economy Brands, (divisão essa que tem a alcunha de “Power Brands” nos bastidores da empresa), com seu português quase perfeito e pouco mais de dois anos de Brasil, mostrou uma nova face da Accor. Simpatia, empolgação e, principalmente, otimismo foram a tônica do discurso de abertura.
Em uma nova entonação para a administradora hoteleira, Dubaere apontou que o turismo de lazer foi a grande fonte de recuperação do setor no Brasil, ressaltando a quase autossuficiência de ocupação do mercado doméstico, que gera 85% do fluxo de ocupação. Segundo o executivo, 10% fica por conta dos turistas dos países fronteiriços e apenas 5% do total da ocupação da rede no Brasil é de estrangeiros de outros continentes.

Para o CEO, é necessária uma maior representatividade desse nicho. Para isso, se comprometeu em interagir com associações e o governo a fim de melhorar essa fotografia. Mesmo assim, a empresa comemorou os melhores resultados na América do Sul desde a chegada da marca, há 40 anos.
Thomas Dubaere aproveitou a ocasião para lamentar a situação da guerra entre Rússia e Ucrânia, que mesmo em cenário de ocupação baixíssima continuaram abertos somente para amparar as famílias, colegas e todos que precisavam de algum tipo de ajuda. Algo similar aconteceu aqui no Brasil durante a pandemia, lembrou.
Segundo o executivo, antes da pandemia o cenário global passava do 1,5 bilhão de viajantes intercontinentais e caiu para 400 milhões. Esses números não retomaram no cenário global, mas pela particularidade do mercado brasileiro o impacto é infinitamente menor do que na Europa, por exemplo.
Resultados de 2022
O resultado global da Accor em 2022 foi 2% acima de 2019, mas, somente no último trimestre do ano o crescimento foi de 15% em RevPar em comparação ao mesmo período. Quando se fala em abertura de novos hotéis no mundo, o incremento foi de 3,2% e o volume de negócios global cresceu 5%.

Na América do Sul o aumento foi de 26% comparado com 2019 e, nos três últimos meses, impressionantes 42% em RevPar, se comparado com mesmo período de 2019. Com 22 novas aberturas e 2700 uh’s na América do Sul, o Grupo teve uma ascensão de 3,1%, e o volume de negócios cresceu em 28%. No Brasil, no último trimestre de 2022, a Accor cresceu 24% comparando-se com 2019.

Compromisso ESG
Quando o foco mudou para as métricas de ESG, Thomas relembrou que existe na Accor um compromisso de zerar a emissão de carbono até 2050 em todo os hotéis da rede pelo globo. Em 2022, a redução foi de 16%, algo em torno de 7,2 toneladas. Além disso, em 84% das unidades no mundo foi eliminado o uso do plástico de uso único.
A capacitação para os conceitos do ESG faze parte do compromisso do grupo, sendo assim, 97% dos colaboradores fizeram treinamentos. Não menos importante, o tema da diversidade e inclusão veio à tona indicando que 39% do quadro de colaboradores da empresa é composto por mulheres.

Perspectivas
Entrando no modelo que se apresenta para 2023 em diante, a mudança ocorre em todos os países onde há operação Accor. Dubaere lembrou que as aquisições e a joint venture com a Ennismore nos últimos anos trouxeram um gigantismo, levando a Accor a ser a número dois do mundo. Assim, se fez necessária uma reorganização para as 45 marcas presentes em todos os continentes e 88 sedes pelo mundo.
A busca pelo foco vem, primeiramente, com a divisão do grupo em categorias e, depois, em quatro regiões geográficas: Américas, Europa e África do Norte, Ásia Pacífica/Oriente Médio e China. Para os segmentos Luxo e Lifestyle, o corte não obedece a geografia, apenas marcas. “90% dos nossos hotéis são do segmento econômico, midscale e premium, um total de 19 marcas. O Luxo e Lifestyle representa 10% do negócio e 25 marcas”, afirmou o CEO.

Os desafios do grupo são grandes para repetir um desempenho tão entusiasmante para o investidor. A hotelnews perguntou se o modelo STR, cuja promessa de injetar mais de 40 mil opções de hospedagem nos próximos meses só na cidade de São Paulo, pode impactar em um resultado futuro, já que o segmento é concorrente direto da oferta econômica e midscale da rede.
Abel Castro, vice-presidente de Desenvolvimento para as Américas afirmou que é impossível mensurar por hora, mas apontou para a fragilidade do modelo concorrente, principalmente na logística para atender uma demanda rotativa, vocação da hotelaria.



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