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IV Fórum Nacional de Hotelaria do FOHB

Durante toda a última segunda-feira (12), o Intercontinental Hotel São Paulo sediou o IV Fórum Nacional de Hotelaria – evento que tem como proposta geração de conteúdo para a hotelaria de rede -, organizado pelo Fórum dos Operadores Hoteleiros (FOHB).

Com uma grade recheada de conteúdo e plateia lotada, os temas que mais se destacavam estavam sempre ligados à tarifação ou cenários futuros. Chamou atenção a dispersão dos presentes quando o assunto foi, por exemplo, ESG ou a escassez de mão de obra.

De modo geral, as apresentações mostraram um cenário futuro positivo, apesar das incertezas que o mundo nos oferece nos dias de hoje. Guerra, inflação, eleições e queda do poder aquisitivo foram apresentados, veja aqui alguns temas abordados:

Cristiano Vasques, sócio-diretor da HotelInvest, não discordou das oportunidades que existem, mas chamou atenção para dois movimentos que podem impactar o setor nos próximos anos e que a hotelaria talvez não tenha se dado conta: o STR – Short Term Rental (aluguel de curta duração) e os novos projetos de Multipropriedade, cuja proliferação, segundo ele, pode impactar o setor de lazer.

De acordo com o executivo, números apurados pelo Secovi mostram que no final de 2022 haverá uma oferta extra de 45 mil apartamentos para locação nesse modelo, o que se equipara ao estoque atual da cidade de São Paulo. Isso acarretaria em alta oferta e preço menor, um risco real para o RevPar das propriedades.

Thomas Dubaere (Accor) e Eduardo Giestas (Atlantica)

Mariana Aldrigui apresentou, como sempre, números da academia que apontam como a hotelaria vem perdendo mão de obra para outros setores e a desglamurização da profissão, seja pela jornada 6×1 ou pela faixa salarial. Em sua fala sugeriu que o setor aposte mais no profissional de nível médio do que no superior, já que este se mostra mais poroso aos desafios da categoria pela remuneração oferecida.

Já o painel de ESG surpreendeu pelo tom quase de desabafo dos participantes, como Carol Igarra, CEO e fundadora do Talento Incluir Consultoria. A profissional, cadeirante, apontou uma série de oportunidades que a hotelaria tem para atender o mercado de quem precisa de algum suporte além do ordinário. Para ela são apenas dificuldades, situações das mais banais e tão debatidas pelos hoteleiros: acessibilidade nas propriedades.

Celso Athayde, CEO da Favela Holding, apontou como as oportunidades demoram para chegar nas comunidades e o custo social para esse delay. Entretanto, enfatizou que, como ele, outros se destacam nesse cenário de dificuldades e quase isolamento.

Já Eduardo Marson, CEO e Chairman da Global Forest Brand, apresentou a capacidade ociosa que a hotelaria tem de participar da economia circular de forma real e intensa. Para o executivo, o impacto que um hotel causa ao meio ambiente deve ser calculado e compensado de forma inteligente, e hoje existem muitas maneiras de existir sem impactar.

E como não podia faltar, a inclusão de gênero foi o tema de Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, que ainda questiona o porquê de a hotelaria ser tão resistente a essa realidade. Ele lembra do tamanho do mercado e que pessoas gostam de pessoas, muitas vezes iguais. Vejam aí a oportunidade.

Ricardo Amorim

Para encerrar o evento, Ricardo Amorim, economista, ex-Manhatan Connection e hoje um dos palestrantes mais engajados, começou sua fala com um testemunho de como a hotelaria pode ser importante na memória afetiva das pessoas e que isso se monetiza. O profissional lembrou de quando esteve em um hotel e foi muito bem atendido por um colaborador. Para agradecer, fez um post em suas redes sociais que gerou 12 milhões de visualizações. “Vejam só, um investimento zero teve essa repercussão apenas pela emoção causada”, declarou.

Em sua apresentação formal, Amorim mostrou que o Brasil é a bola da vez no que diz respeito à economia. “Nossa experiência com inflação nos faz estar à frente de outros mercados desenvolvidos e, além disso, na geopolítica nossa vantagem é ainda maior. Do G20 – grupo de países mais ricos do mundo – somos os únicos sem uma tensão imediata, com potencial de terra aráveis do tamanho de quase de toda Europa. Portanto, realmente podemos ser o celeiro do mundo”.

E a hotelaria? Precisa um pouco mais de emoção?  

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