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A importância do gestor de projetos na adequação à LGPD na hotelaria

POR JEFFERSON KIOHARA

jefferson kiohara

Em razão da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), muito se tem falado sobre o DPO (Data Protection Officer) ou Encarregado de Proteção de Dados. Há vasto material e cursos com foco nesse profissional, que ganhará cada vez mais relevância nas organizações brasileiras, por ser o responsável em gerir o Programa de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais. Contudo, outra importante figura não tem recebido o mesmo destaque: o gestor de projetos, ou PMO (Project Management Office), profissional que garantirá a implantação das melhorias necessárias à LGPD, em especial nas médias e grandes empresas.

E quais seriam as melhorias? Quais os pontos que as organizações do setor hoteleiro precisam compatibilizar para se adequar à LGPD, uma vez que os dados pessoais são ativo fundamental para os negócios? O processo de adequação inicia-se com um diagnóstico. É fundamental entender qual o estágio atual da organização em termos de gestão da privacidade, mapear quais os dados pessoais utilizados, onde eles estão e para qual finalidade são empregados. E, em especial na hotelaria e gastronomia, eles estão em todos os lugares e são ativo chave do sucesso do empreendimento.

A avaliação, para ser completa, deve considerar três pilares complementares: legal, TI e gestão/processos. Por exemplo, pode ser necessário alterar cláusulas de contrato, rever a parametrização de um sistema e/ou definir um novo processo para obtenção do consentimento do titular do dado. O produto final será um plano de implantação de melhorias (ou de adequações). É a partir daí que o PMO ganha relevância. 

Um plano de adequação padrão engloba diversas frentes e envolve múltiplas áreas, como é típico no compliance. Serão necessários a elaboração e ajustes de normativos, treinamentos, adequações na infraestrutura de TI, aquisição de ferramentas, novas parametrizações, revisão de processos e outros. 

Nesse cenário, o papel do PMO será de grande utilidade devido à sua experiência em gestão de projetos. A capacidade de estruturar atividades de forma sequencial, respeitando interdependências, identificar, tratar gargalos e caminhos críticos, trabalhar com times multifuncionais e fazer follow up junto às áreas responsáveis, elaborar dashboard e relatórios de acompanhamento fará grande diferença no êxito da organização em tratar os seus gaps e conseguir se manter adequada à LGPD. 

A missão do PMO será contemplada internamente, quando as organizações contarem com profissionais detentores de tal expertise, ou mesmo terceirizados, seja numa linha de reforçar competências internas existentes ou captar aquelas que faltam. Não basta saber o que precisa ser feito. O importante é interpretar como deve ser feito. Ter visão de processos também é fundamental, para garantir que as interconexões aconteçam. 

Por tudo isso é essencial que hotéis, restaurantes e demais empresas assimilem em seu plano de adequação à LGPD a figura do PMO e definam quem exercerá tal função. Esse profissional será o responsável por gerenciar com sucesso a implantação das melhorias necessárias e os elementos do Programa de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais, que posteriormente será de responsabilidade do DPO.


Jefferson Kiyohara é diretor de Compliance na ICTS Protiviti, especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados; reconhecida como Empresa Pró-Ética por três anos consecutivos. contato: jefferson.kiyohara@protiviti.com.br

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