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2018
01
08

Os culpados dos juros altos

POR JOS ERNESTO MARINO

O Estado brasileiro paga cerca de 50% do que arrecada apenas com amortização e juros da sua dívida. É um volume enorme e que cresce continuamente, porque a taxa de juros tem sido maior que a taxa de expansão da economia.

Muitos atribuem aos rentistas a culpa dessa situação, como se a oportunidade de ganhos fáceis fosse criação desses atores do mundo financeiro que vivem de surfar nas ondas criadas por incompetentes. Outros culpam o Estado por ser o gigante devorador de recursos, já que o Estado é o maior perdulário de todos. Mas os verdadeiros culpados são os maus burocratas, os socialistas e os nacionalistas.

Pode até ser que eles não saibam que estão em aliança, que tramam junto contra a sociedade, que trafegam na mesma rota. Mas a verdade é que são jogadores do mesmo time que rema contra os interesses nacionais.

Juro alto genericamente é determinado pelo governo para reduzir a demanda visando controle da inflação como forma de equilibrar oferta e demanda porque não conseguimos gerar oferta de bens e serviços para atender à procura.

Graças à ausência de infra estrutura não se permite produção de mais bens e serviços. E não expandimos a infra estrutura graças à aliança entre maus burocratas, socialistas e nacionalistas.

É simples. Há várias décadas os políticos vem inserindo na estrutura do Estado (governos federal, estaduais e municipais) profissionais de confiança e parentes inchando a máquina pública. Esses burocratas, tecnocratas, que servem apenas a seus senhores e que, por razões obscuras ou por puro desejo de poder, fazem o serviço público andar em velocidade de cágado. São os maus burocratas.

É em parte por culpa desses maus burocratas, que por vezes se escondem nas vestes do interesse público, que licenciamentos, contratações e ações relacionadas a obras de infra estrutura demoram.

E é por conta de ausência de infra estrutura que o país não consegue dar apoio aos empreendedores para ofertar mais bens e serviços à população. FHC conseguiu, você pode dizer. Claro! Abriu a importação e com isso equilibrou o mercado, mas o câmbio gritou e isso acabou. Foi temporário.

Mas são os maus burocratas os únicos responsáveis? Claro que não. Sem infraestrutura, sem energia, sem rodovias, sem portos, sem ferrovias, sem água encanada, sem esgotos, sem iluminação, sem escolas, sem mão de obra preparada o Brasil quase sempre fica à beira do colapso.

Os nacionalistas não admitem que infra estrutura seja executada com capitais de estrangeiros ou por estrangeiros. Nos anos de ouro, durante a década de 70, por mais que houvessem canadenses, ingleses e norte-americanos interessados em nos ajudar a expandir nossa infraestrutura, o espírito nacionalista bradava pelas cores verde e amarela nas estradas. Assim, o Brasil endividou-se para construir, por exemplo, a Transamazônica. O Brasil endividou-se, endividou-se e tornou-se o maior tomador de recursos.

Os nacionalistas se apavoram com a idéia de que um chinês seja “dono” de uma usina hidrelétrica. Afinal, um dia o chinês pode querer colocar a usina em baixo do braço e ir embora, certo? Óbvio que não. É puro preconceito e incapacidade gerencial para ditar as regras da concessão e procedimentos de controle.
Os socialistas são contra. Para eles apenas o Estado pode ser titular de infra estrutura. Mas que Estado se não há recursos nem para pagar aposentadorias?
Então a pequena infra estrutura que podemos adicionar fica limitada ao recurso estatal, geralmente oriundo do BNDES, entregue para ser gerenciado pelo empresário brasileiro preferido do momento, na velocidade que os burocratas permitirem.

Aí está a prova da aliança que pouco a pouco mata o Brasil. É esse limitador que decreta ao Brasil perspectiva de comportamento pífio em sua economia. Vôos de galinhas de vez em quando, aproveitando momentos de meios de produção ociosos (consequência da destruição econômica do passado recente), como agora, são seguidos com momentos de elevação de juros para controle da inflação gerada por demanda que não encontra oferta de bens e serviços para lhe satisfazer.

É chegado o momento de quebrar essa aliança que destrói os sonhos dos brasileiros, que vive do suor e do sangue do povo. Chega de socialistas, de nacionalistas e de burocratas inescrupulosos! Chegou a vez de patriotas amantes da Liberdade!

Atualmente há mais de US$ 15 trilhões de liquidez no mundo. Centenas de fundos bilionários procurando por oportunidades para frutificar, aspirando por negócios com demanda, em ambientes maduros, seguros e capazes de gerar mais negócios para que os lucros produzidos encontrem novas oportunidades.

O Brasil precisa de uma bolsa de infra estrutura, um ambiente digital onde todo Município, todo Estado Federado e a União listem os projetos que desejam realizar, permitindo a qualquer investidor, de qualquer origem, que dessa lista retire sua intenção e, com seus recursos, o realize e o gerencie.

Seguramente nascerá espaço para empresas brasileiras se organizarem, se aliarem a capitais não governamentais, de várias nacionalidades, e assim, ajudarem a expandir nossa infra estrutura. Mas nunca mais da forma que a Lava-Jato descobriu. Nunca mais com a interferência do Estado perdulário, improdutivo e corruptor.

A teoria da administração moderna ensina como planejar e controlar entregando a terceiros a função de executar. O Estado pode e deve planejar e controlar temas essenciais, mas não pode envolver recursos públicos para a execução e, muito menos, envolver-se na execução.

Crescendo a economia os juros podem diminuir, crescendo a economia a proporção de amortização e juros vão diminuir. Crescendo a economia vamos eliminar a pobreza e dar a todo brasileiro a oportunidade de ser feliz. Não é dividindo a pobreza que o Brasil terá futuro. É gerando riqueza para eliminar a pobreza.

José Ernesto Marino Neto É professor associado da FGV e consultor de investimentos hoteleiros. Bacharel em Direito (USP), com especialização em Administração de Negócios de Turismo (USP), M.S. in Administration (Florida Christian University), PhD in Business Administration (FCU), membro emérito do New York University Preston Robert Tisch Center for Hospitality, Tourism and Sports Management, Professor de Investimentos Hoteleiros (FGV), fundador e presidente da BSH International.

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