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02
02

A boa surpresa

POR CRISTIANO VASQUES

Cristiano Vasques, Artigo

Em setembro do ano passado, escrevi uma coluna que falava dos indicadores claros e consistentes de retomada da economia e da demanda hoteleira.

Relembrando o que havia dito anteriormente, destaco dois pontos principais. O primeiro era que a recuperação da ocupação e da diária dependeria do ciclo de cada mercado. Naqueles ainda afetados por um forte choque de oferta, as coisas poderiam piorar antes de melhorar. Nos demais, com patamares razoáveis de ocupação, teríamos espaço para aumento de receitas. O segundo ponto era que a recuperação estava sujeita a riscos e seria lenta e gradual.

De lá até o momento em que essa coluna era escrita, foi possível fechar e avaliar os resultados entre agosto e novembro de 2017 de diversos hotéis, e ter uma parcial relativa ao mês de dezembro.

Os resultados remetem ao título da coluna: uma grande surpresa positiva! A essa altura, o leitor hoteleiro já deve ter ouvido falar sobre essa retomada ou sentido isso no seu próprio mercado. O que me chama a atenção, na verdade, é a magnitude da retomada.

Nas cidades que não passaram por um aumento substancial de oferta nos últimos anos, os meses de agosto, outubro, novembro e dezembro registraram crescimentos inimagináveis. Em ocupação, grande parte dos hotéis variou entre 5% e 30% de crescimento em relação a 2016. Em diária média o crescimento foi da mesma ordem de grandeza. A consequência, como se sabe, é um expressivo salto de faturamento - girando na casa dos 25%, mas atingindo picos de até 70% em relação ao mesmo período de 2016.

As demais cidades - que sofreram choque de oferta ou crise aguda por razões ligadas à matriz econômica local e que vinham apresentando fortes quedas - registraram baixas menores, estabilização de desempenho ou recuperação leve. Ou seja: desaceleração ou leve reversão da queda.

Nas conversas com as áreas comerciais das operadoras, ficou claro que não há um responsável único pelo aumento da demanda. Os hóspedes de diversos segmentos voltaram: dos corporativos aos ocasionais de lazer, dos eventos sociais aos empresariais.

Dito isso, o que pode explicar tais indicadores hoteleiros tão expressivos, já que poucos sentiram uma retomada econômica mais pronunciada e mais bem distribuída pela economia?

Primeiramente, o fato de que mesmo as cidades que não sofreram choque de oferta foram impactadas pela crise econômica e pela queda de demanda. Nesses casos, a retração foi tão forte e prolongada que chegou a derrubar as tarifas em até 50%. Com bases de comparação tão baixas, é razoável supor que qualquer retomada permita um pequeno ajuste em termos absolutos, mas com forte impacto em termos percentuais.

Em segundo lugar, lembro que o consumo de viagens é bastante elástico e também esteve bastante reprimido. A percepção de que as condições econômicas podem melhorar fez com que muitas viagens voltassem a acontecer, seja para retomar negócios e explorar novas oportunidades - antecipando a melhora da economia em si - ou para realizar aquele passeio que foi adiado por muito tempo pelas condições econômicas adversas.

Enfim, ainda há mercados com um processo de recuperação longo e doloroso pela frente. Mas não há nada como a leveza da sensação de que o pior ficou para trás. Próspero 2018 a todos!

Tem curiosidade pelo impacto das megatendências e tecnologias disruptivas no setor de hospitalidade? Então é só seguir o Meteorologista Hoteleiro no Twitter: @Meteoroteleiro.

*Cristiano Vasques é engenheiro de Produção (Poli-USP) e especialista em Gestão do Turismo e Hotelaria (FGV). É sócio da HotelInvest e managing director da HVS South America. Contato: cvasques@hvs.com. 

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