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2017
18
08

Qual o tamanho da "ameaça"?

POR MARIANA ALDRIGUI

Hotelaria, Airbnb

O grande tema da hotelaria brasileira, desde o final dos Jogos Olímpicos, é o efeito Airbnb na ocupação e no desempenho dos meios de hospedagem ditos tradicionais. Semanalmente, uma declaração, uma matéria patrocinada, eventos e ações aparentemente neutros são organizados para tentar, sem muito sucesso, tirar o brilho desta iniciativa internacional que combina muito com o espírito hospitaleiro e empreendedor brasileiro.

A mais recente, noticiada em diferentes mídias: a pressão feita por presidentes de associações hoteleiras sobre o Sebrae, que havia assinado um convênio de cooperação técnica que iria ampliar a oferta de oportunidades para o desenvolvimento de pequenos negócios em diferentes regiões do Brasil. Por pequenos negócios, entenda-se: restaurantes pequenos, padarias de bairro, bares, lojas de conveniência, aluguel de bicicleta, entre milhares de outros a depender do local.

Embora eu tenha buscado em diferentes fontes, ainda não encontrei o relatório que me aponte qual foi o real índice de queda na ocupação da hotelaria brasileira que tenha se transformado imediatamente em ocupação do Airbnb. Até onde eu sei, por pesquisas e por acompanhar o noticiário econômico, quando um destino está em baixa, tanto hotéis como as opções listadas no Airbnb sofrem da mesma forma.

O que me deixa realmente intrigada é o fato de esses “executivos” não fazerem a menor ideia de quem é e como decide o hóspede genérico do Airbnb. Por mais que existam milhares de relatórios indicando isso. Ignoram que são pessoas que, em praticamente nenhum cenário, ficariam em seus hotéis decadentes. Que buscariam encontrar amigo de amigo de parente para pedir favor e se hospedar de graça, mas que com essa opção, entendem que podem pagar por algo e ter uma experiência diferente.

Na média, senhores hoteleiros, a maioria dos hóspedes tradicionais, que viaja com verba de empresas, segue preferindo hotéis por razões muito simples – privacidade garantida, uma certeza (questionável) que no quarto de hotel você faz o que quiser, e, em muitos casos, a possibilidade de levar acompanhantes sem dar satisfação a ninguém e sem deixar rastro digital. Outros tantos não mudam por estarem realmente fidelizados pelos serviços prestados ou por se tratar de política de empresas (sim, isso existe!).

Uma dica – quando um dos quartos Airbnb é mal avaliado ou presta um serviço ruim, é um apenas, e logo sai da lista de opções em função da avaliação dos demais. Quando um hóspede de seu hotel entra num quarto sujo, fedendo a mofo, com toalhas rotas, com comida mal apresentada, é todo o hotel (e por vezes, a marca) que perde com isso.

Já disse isso uma vez e repito - é muita energia dedicada a atacar uma plataforma quando na verdade deveria ser investida em trabalho para reestruturação, treinamento e qualificação dos serviços.

Os gestores melhor preparados já passaram dessa fase de reclamação e estão atuando de fato no posicionamento de seus hotéis – especialmente aqueles cujos preços são similares aos dos quartos listados. Escolheram melhor os canais de promoção, ajustaram a imagem e estão bem satisfeitos com os resultados que colhem. Há espaço para todos os que souberem acolher a inovação.

Mariana Aldrigui é professora e pesquisadora na USP, desenvolvendo estudos críticos sobre o desenvolvimento do turismo no Brasil. Contato via aldrigui@usp.br

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