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2017
10
04

Parou de piorar?

POR CRISTIANO VASQUES

Cristiano Vasques, Artigo

A evolução da crise e as perspectivas de retomada da economia e do mercado hoteleiro é um tema que sempre desperta grande interesse. Os impactos desta crise no dia a dia dos gestores são variados. Há pressões vindas de clientes, investidores e do corporativo das redes.  Concorrentes baixando tarifas e lutando ferozmente por hóspedes também fazem parte dessa realidade, bem como funcionários sobrecarregados.

Este processo tem se desenrolado desde 2014. Ou seja, um desgaste forte e que vem se alongando demasiadamente, levando ao limite operacional e financeiro.  Dito isso, todos querem saber: Parou de piorar? A retomada está a caminho?

Deixando de lado as ideologias políticas e a crenças econômicas, constata-se que o cenário atual é menos turbulento que há um ano. Sem entrar no mérito da inocência da liderança política no poder, o fato é que temos um governo com maioria estável no Congresso e um senso muito claro de direção.

Há um ano, a realidade era bem distinta e extremamente perigosa: o País parecia um andarilho perdido na chuva, passando frio, com febre, faminto e sem um mapa que indicasse um caminho seguro.

A consequência da exposição a essas condições adversas é que o andarilho virou um enfermo com estado de saúde frágil. Há febre (desemprego), infecções (convulsão social), desidratação (produção e vendas em queda).

Algumas complicações surgiram do próprio processo de adoecimento, como a situação fiscal dos estados. Seus compromissos financeiros foram firmados em tempos de bonança, mas a arrecadação tributária para honrá-los se dá em uma realidade de forte retração econômica. Uma verdadeira doença oportunista decorrente da própria fragilidade do paciente. Essa, no entanto, é apenas parte da estória.

O paciente foi resgatado da encruzilhada em que se encontrava. Já está no hospital. Foi diagnosticado. Está sendo medicado, alimentado e monitorado. Ainda frágil, mas distante das agressões que o levaram à beira da morte.

Esse paciente vai voltar às ruas, recuperado, saudável e pronto para se aventurar novamente pela trilha do crescimento e do progresso? Sim! E está cada dia mais próximo desse momento.

Veja as conquistas dos últimos meses: a lei das estatais; nova legislação do présal; desvinculação de receitas da união (DRU); programa de concessões; renegociação das dívidas dos estados; nova política operacional do BNDES; sintonia entre a política fiscal e a monetária; queda da taxa básica de juros; volta da inflação aos limites da meta; aprovação da PEC do teto de gastos; e apresentação de propostas de reforma previdenciária e trabalhista.

Ufa! Depois de anos sem a discussão e aprovação de nem sequer uma reforma relevante, trata-se de um rol de feitos absolutamente notável. Agenda que não é de direita nem de esquerda, mas do bom senso econômico e da eliminação de travas.

Quando isso bate na hotelaria? Com um certo “delay” em relação à retomada do crescimento econômico. Fazendo as necessárias ressalvas – (a) essa retomada ainda não é evidente, (b) ainda não está disseminada por muitos setores e (c) que está sujeita à riscos político-policiais – diria que devemos ver os sinais mais claros ao longo do segundo semestre.

A agenda do crescimento, enfim, parece andar lado a lado com o equacionamento político. Talvez o País tenha aprendido a conviver com a Lava Jato. E isso é muito positivo!

*Cristiano Vasques é engenheiro de Produção (Poli-USP) e especialista em Gestão do Turismo e Hotelaria (FGV). É sócio da HotelInvest e managing director da HVS South America. Contato: cvasques@hvs.com. 

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