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2015
28
04

Cuidados em tempos de crise

POR PAULO MÉLEGA

paulo mélega

O Brasil vive um momento de instabilidade econômica e política, com consequências negativas para o mercado hoteleiro. As previsões mais confiáveis apontam para 2015 uma retração entre 0,5% e 1,5% do PIB, e uma inflação entre 7% e 8%. A estagnação de 2014 deve virar uma recessão em 2015, com pressões sobre o câmbio, juros, emprego e renda.

Sabemos que a hotelaria de negócios é fortemente influenciada pela atividade econômica, ou seja, 2015 será (já está sendo) um ano de dificuldades. Somado a isso existem mercados que ainda receberão a entrada de novos hotéis, desenvolvidos há cerca de quatro anos, quando o cenário era muito mais positivo. Aumento de oferta, estagnação da demanda, e custos pressionados pela inflação fazem com que esse ano seja de grandes desafios. Vejamos alguns cuidados para enfrentar esse cenário.

Foco nos custos: é momento de revisar e questionar todos os custos do empreendimento. Repense os gastos como se estivesse abrindo o hotel, e não se deixe levar apenas pelo histórico de despesas. Tenha atenção aos controles gerenciais, às perdas e aos desperdícios. É tempo de pensar em readequação de equipe, controle de outros gastos de pessoal, tais como benefícios, extras etc. Revise contratos, repense fornecedores. Desenvolva um plano específico para A&B e energia, duas áreas críticas em 2015. É momento de manter ou recuperar as margens de lucratividade do hotel através da gestão de custos, uma vez que o aumento de receita é improvável.

Atenção à estratégia de preços: a demanda não deve aumentar nesse ano, mas isso não é motivo para declarar uma guerra tarifária, cenário em que todos os concorrentes perdem no médio prazo. Cuidado com a diminuição das tarifas, pois a reação dos competidores é inevitável, podendo criar um patamar mais baixo de diárias para todo o mercado. O objetivo é manter ou aumentar levemente os preços médios de 2014, evitando, assim, uma perda maior de receita.

Promova melhorias no produto: anos de crise também servem para reformar e implantar melhorias nos hotéis, principalmente em empreendimentos que dispõem de fundo de reserva para reinvestimento. Com ocupação mais baixa, os hotéis podem aproveitar para promover reformas sem perda expressiva de receita.

O objetivo é ter o hotel preparado e atualizado quando a economia melhorar. Lembre-se: a crise não será permanente, e quando a demanda voltar a crescer alguns hotéis estarão mais preparados e competitivos. Mesmo que não tenha condições de reinvestir, não deixe de fazer as manutenções preventivas e corretivas do empreendimento, sob pena de prejudicar a sua competitividade futura.

Mantenha a visibilidade do seu hotel: cuidado para não cortar todas as ações de promoção e comunicação. As marcas que continuarem ativas e na lembrança dos clientes sofrerão menos durante a crise, e estarão mais prontas para o período pós-crise.

Tenha agilidade: não deixe de planejar, mas tenha agilidade nas ações, pois cada dia postergado tornará a meta de 2015 mais difícil de ser atingida.

Em resumo, o ano de 2015 será difícil, mas não é motivo para desespero ou ações impensadas. Planeje bem, cuide dos detalhes, tenha o controle dos números. Como faziam os antigos navegadores em tormentas, é momento de abaixar a vela, assumir o controle da embarcação, ter calma e manter a direção, pois a tempestade vai passar.

* Paulo Mélega, graduado e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP, com especialização em Investimentos Hoteleiros na Cornell, é diretor da Atrio Hotéis, maior franqueada da Accor no Brasil. Contato: paulomelega@gmail.com.

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