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Turismo, esse desconhecido

POR JOSE ERNESTO MARINO NETO

turismo, trabalho, wttc, hotelnews

Turismo é uma indústria poderosa.

Responsável por 20% dos postos de trabalho criados na última década, segundo WTTC, tende a aumentar de importância com a revolução tecnológica dos dias de hoje. Afinal, se a revolução industrial substituiu o trabalho braçal, hoje, com automóveis autônomos e robôs, a ameaça paira sobre o trabalho intelectual ou cerebral.

O desafio então é, nesse ambiente, gerar riqueza, para eliminar a pobreza, e gerar empregos para dar oportunidades. Riqueza, com produtos de valor agregado; empregos, com o aumento da atividade econômica.

Mas ao contrário dos governos petistas, que tentaram vender o turismo de sol e praia no além mar, estacionando em 6 milhões de turistas estrangeiros, o Brasil deveria oferecer o que tem de único.

Qual o problema de nossas praias? Nenhum. Apenas é uma guerra inglória. Como produto de demanda sensível a preço, o Brasil compete em desvantagem. Estamos distantes dos principais emissores mundiais, gerando maior custo de deslocamento, e o famoso Custo Brasil prejudica os empreendedores brasileiros com custos fixos maiores que os concorrentes.

Então vendemos praia para os mais próximos como os hermanos sulamericanos e recebemos de braços abertos os europeus, norte-americanos e asiáticos que estabeleceram vínculos com o Brasil.

Mas é na Amazônia, no Pantanal, nos Parques Naturais como Jericoacoara, Fernando de Noronha, Foz do Iguaçú e tantos outros que temos unicidade de produto. A promoção do Brasil sofisticado, exótico, único é que deve criar demanda com poder aquisitivo para enriquecer nosso povo, de todo o país. Afinal, não se atravessa o oceano apenas por pouco tempo, gerando oportunidade para mostrar cidades e até praias.

É a atração de demanda qualificada permanente que contribui com o ingresso de recursos internacionais para ampliar nossa oferta de produtos e serviços turísticos. E para isso é necessário foco.

Não faz sentido que o Ministério do Turismo financie obras de infra-estrutura. Afinal, não estamos em Cuba, que tem áreas destinadas exclusivamente a turistas estrangeiros. Lá pode-se chamar a infra-estrutura de “turística”. Aqui é de uso de todos, indistintamente. Assim, deve estar sob a responsabilidade de outra pasta.

Igualmente o Turismo não deve ser gestor de Fundo para financiamentos. Quem entende de financiar atividades econômicas é quem deve cuidar disso.

Da mesma forma, qualificar mão-de-obra. O mercado deve cuidar das necessidades dele próprio. Aliás há muitos exemplos de organizações empresariais que investem parte considerável de seus orçamentos na formação e qualificação de seus colaboradores. Para isso há também as escolas no ensino médio, técnicas e universidades.

Alías, ainda que relevante para o país, Turismo não precisa ter status ministerial. Um grupo qualificado de profissionais com foco em vender o Brasil no exterior e na atração de investimentos é o que basta.

A missão do atual governo é diminuir seu tamanho e ser eficiente demonstrando compromisso com os recursos dos contribuintes. No âmbito do Turismo é dobrar o volume de turistas estrangeiros, trazer capital de risco e impulsionar a oferta de bens e serviços.

Para isso acontecer é essencial que a infra-estrutura se amplie, que a criminalidade seja contida e que o Brasil seja bom destino turístico, isto é, que seja um bom local para se viver porque aí será um bom lugar para se visitar. Um lugar seguro, limpo, civilizado, com serviços demandados pelo consumidor, seja ele turista ou não.

Então o Turismo deve estar em sintonia com o resto do governo. Para isso não pode ser objeto de barganha política como tem sido nas últimas duas décadas, agraciando pequenos partidos políticos para integrar a base parlamentar do governo. Pequenos partidos porque até hoje entenderam que o Turismo era de pequena importância. Ledo engano!

Os benefícios que o Turismo pode oferecer ao Brasil são muito grandes.

Portanto, admitindo que teremos condições de oferecer tranquilidade ao turista, como trazê-lo ao Brasil além de ir ao encontro dos players em feiras tradicionais e convidá-los para “fan tours”? “Tryvertising”!

Oferecer uma experiência para que o potencial visitante tenha interesse de conhecer o Brasil. Como? Utilizando da tecnologia no local onde nosso potencial cliente está.

Que tal usar os maiores aeroportos do mundo?

Pense no alemão que espera algumas horas por um vôo no aeroporto de Frankfurt. Imagine-o entrando em um oásis, no próprio aeroporto, permitindo-lhe, com realidade virtual, vivenciar o carnaval carioca ou o baiano ou o pernambucano?

E o passageiro em Atlanta vivenciando um passeio no Pantanal, tudo em realidade virtual? Ou no grande hub de Dubai permitindo ao visitante tomar parte de uma festividade de índios na Amazônia? Ou o californiano em LAX, Los Angeles, participando de uma grande revoada de pássaros exóticos na Floresta de Carajás? Ou o usuário do aeroporto de Amsterdã tendo a sensação de um “bungee-jump” nas Cataratas do Iguaçú?

As possibilidades são infinitas e o Brasil merece a chance de se destacar do comum, de oferecer seus bens com valor agregado, de gerar riqueza e desenvolvimento para seu povo e, tudo isso, com a indústria da paz, da integração humana, valorizando nossa natureza.

Mas é preciso ter foco e comprometimento.

O povo brasileiro elegeu um novo governo para mudar. Não faz sentido criar missões empresariais que são presenciadas pelos amigos de sempre dos consulados ou de parlamentares que criam comissões para acompanhá-las e sequer participam delas deliciando-se em New York e outras paragens...

Não faz mais sentido criar eventos em locais discutíveis, para atrair investimentos, se já há conferências internacionais e feiras especializadas. Necessário metas e perseguí-las, como se faz na iniciativa privada.

O governo brasileiro precisa de foco, conhecimento e dedicação.

 

* Jose Ernesto Marino Neto é fundador e presidente da BSH International

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