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23
10

Recuperação contratada, e agora?

POR CRISTIANO VASQUES

Cristiano Vasques, Artigo

Dados e declarações recentes de diversos agentes do mercado financeiro indicam um processo de recuperação econômica cada vez mais consistente, espalhado por mais setores da economia e regiões geográficas. Gestores de fundos, diretores e economistas-chefe de grandes bancos, funcionários graduados do governo parecem cada vez mais convencidos de que a economia se descolou da política e avança, ainda que permeada por pontos de preocupação bastante claros (como o recuo em relação à reforma da previdência).

Na carteira de hotéis acompanhados pela HotelInvest, composta por quase 50 empreendimentos em diversas cidades brasileiras, o processo também começa a se alastrar. Em que pese que diversas cidades ainda tenham que lidar com processos locais de deterioração econômica ou excesso severo de oferta – casos do Rio de Janeiro e Santos (SP), por exemplo – nos demais mercados a demanda volta a crescer moderadamente e abre espaço para aumento de ocupação e melhor gestão das diárias. A consequência é a melhoria discreta, mas consistente, das receitas.

Alguns mercados merecem considerações mais específicas, pois ajudam a entender a diversidade de situações que permeia a hotelaria brasileira e a compreender os desafios e as oportunidades que se apresentam.

No caso de São Paulo (SP), a oferta se manteve praticamente estável nos últimos anos. Foram poucos os hotéis inaugurados recentemente. A maior parte dos novos hotéis já inaugurados se concentrou na região da Barra Funda. Não bastasse a nova oferta, essa região também sofre com a perda de demanda relacionada à crise econômica e ao esvaziamento do Anhembi. As inaugurações futuras devem se situar no segmento de luxo e o volume de quartos é pouco representativo em relação à oferta total.

Assim, a capital paulista irá se beneficiar de ocupações razoáveis e diárias relativamente preservadas (apesar da crise). A expectativa é de ocupação pressionada em dias úteis e dando espaço para crescimento da diária e receita.

Situação semelhante ocorre em Campinas (SP). A cidade ainda apresenta níveis razoáveis de ocupação e diárias e, assim como São Paulo, pode se beneficiar de um cenário de recuperação de demanda sem aumento significativo de oferta.

No Rio de Janeiro (RJ) o cenário ainda é negativo. A nova oferta inaugurada para a Copa e para as Olimpíadas ainda não foi absorvida, tanto pelo número excessivo de quartos, quanto pela forte queda da demanda, relacionada com a crise fiscal do estado e o retrocesso no setor de óleo e gás. A ocupação ainda tem caído fortemente e, em diversas regiões, para níveis dramaticamente baixos. Cenário parecido, mas não tão intenso, aflige Santos (SP), também dependente da indústria do petróleo e vítima de um processo de excesso de nova oferta.

Essa conjuntura desafia a hotelaria desses mercados, pois a guerra de tarifas já está em andamento e corrói ainda mais os resultados dos empreendimentos.

Uma terceira categoria de mercados, como Goiânia (GO) e ABC paulista (SP), também está com níveis razoáveis de ocupação, mas deve sofrer um choque de oferta nos próximos meses. Como consequência, ao invés de se beneficiar da recuperação econômica, deve apresentar novas quedas de ocupação e, eventualmente, de diárias.

Com suor, sangue e lágrimas, o país vai saindo da pior recessão da história. Muitos mercados ainda vão piorar antes de melhorar, mas já podemos ver a luz no fim do túnel.

*Cristiano Vasques é engenheiro de Produção (Poli-USP) e especialista em Gestão do Turismo e Hotelaria (FGV). É sócio da HotelInvest e managing director da HVS South America. Contato: cvasques@hvs.com. 

 

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