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2020
25
03

Comércio deve perder R$ 25,3 bilhões somente em SP, RJ, MG e DF

Foto: Markus Spiske/Unsplash

As perdas diretas do comércio com a pandemia de coronavírus devem chegar a R$ 25,3 bilhões na segunda metade de março de 2020, somente nos três estados com maiores volumes de vendas do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e no Distrito Federal. As informações foram divulgadas pela Confederação Nacional do Comercio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

As quatro regiões respondem por cerca de 52% do faturamento anual do setor. Não estão contabilizadas as perdas indiretas decorrentes da queda espontânea da movimentação dos consumidores nas lojas.

"O comércio, que vinha recuperando a confiança e tinha expectativa de expansão este ano, agora está registrando prejuízos que representam um desafio histórico para as empresas. A CNC já enviou ao governo federal um documento com sugestões de medidas que possam reduzir os impactos negativos da crise nas empresas, visando a manutenção dos empregos. Estamos buscando todas as soluções disponíveis para que os empresários possam enfrentar essa difícil conjuntura", afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Em São Paulo, a CNC estima que a perda no volume de vendas chegará a R$ 15,67 bilhões, uma retração de 29,9% em relação ao faturamento usual do setor. O governo do Estado decretou o fechamento de lojas em diversos segmentos do varejo entre 20 de março e 5 de abril.

No Distrito Federal, decreto semelhante entrou em vigor um dia antes (19 de março), estendendo-se também até 5 de abril. Com isso, as perdas vão alcançar R$ 815,33 milhões (-30,7%), segundo a entidade.

Os estabelecimentos comerciais de Minas Gerais, que deverão permanecer fechados entre os dias 23 de março e 10 de abril, devem acumular queda de R$ 4,45 bilhões (-27,3%) no faturamento.

Já no Rio de Janeiro, a Confederação projeta uma perda de R$ 3,6 bilhões no comércio, desde o início das restrições. No Rio, além do decreto do governo estadual recomendando o fechamento de shopping centers e reduzindo em 30% o horário de funcionamento dos estabelecimentos, a prefeitura da capital fluminense decidiu que, desde terça-feira (24), todos os pontos comerciais especializados na venda de produtos não essenciais fechassem as portas por tempo indeterminado.

CRESCIMENTO DESCARTADO

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de janeiro de 2020, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 1% no volume de vendas do varejo em janeiro, na comparação com dezembro de 2019 – já computados os ajustes sazonais. De acordo com o economista da CNC Fabio Bentes, a retração, maior que a esperada para o primeiro mês do ano, representou o pior resultado mensal para meses de janeiro desde 2016 (-2,6%).

"Esta queda já revelava uma certa fragilidade no processo de recuperação do consumo antes mesmo do surto de coronavírus", ressalta Bentes, lembrando que "os dados ainda não evidenciam a forte perda de atividade econômica verificada pelo setor a partir da intensificação da pandemia".

A estimativa anterior da confederação para 2020, de que o varejo cresceria 3,5% (+5,3% no varejo ampliado), está definitivamente descartada. "Teremos uma estimativa mais precisa tão logo seja possível detectar o impacto da crise atual sobre todos os condicionantes do consumo (mercado de trabalho, inflação, condições de crédito e confiança de consumidores e empresários). Há de se esperar uma significativa revisão das projeções quanto ao desempenho do varejo neste ano", encerra.

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