hotelnews

busca

Edição 408

matéria de capa

Prognóstico positivo

Viagens para tratamento de saúde crescem e o brasil ganha espaço no mapa


A indústria global de turismo relacionada a tratamento médico, que comporta a movimentação de viajantes em busca de internações e procedimentos cirúrgicos, consultas médicas, intervenções estéticas e odontológicas, além de serviços vinculados a bem-estar e outras motivações relacionadas a cuidados com a saúde, passa muito bem. Pesquisa recente da Oxford Economics - indicador econômico da Medical Tourism Association - radiografou o setor e revela que o volume global de negócios do segmento de viagem de saúde é de US$ 100 bilhões, com perspectiva de crescer até 25% ao ano na próxima década. 


Alinhadas em seus objetivos, área médica e iniciativas de turismo mantêm sintonia, a exemplo do que acontece na ITB Berlim, uma das principais feiras de turismo da Europa que reúne a cadeia do trade de viagens anualmente na capital da Alemanha. Interessada em diagnosticar os rumos do segmento, a ITB Berlim, realizada em março último, reserva um pavilhão exclusivo para o segmento de viagens de saúde. A finalidade é promover o encontro dos players e especialistas mundiais do setor, oportunidade para expor produtos, serviços médicos, destinos e debater temas num único fórum de ideias e prospecção de negócios. 


Um check-up do setor revela alguns fatores que explicam o interesse crescente do turista pelas viagens com a finalidade de buscar tratamento para corpo e mente. Entre eles estão maior qualidade nos cuidados e serviços; redução dos custos do tratamento médico além das fronteiras do país de origem do paciente; procedimentos/medicamentos não aprovados ou disponíveis no país de origem e tratamento médico combinado com destinos atraentes. E diversidade do destino favorece a escolha do Brasil. Mesmo que médicos e clínicas estejam concentrados no eixo São Paulo-Rio, há polos em cidades importantes brasileiras que ganham relevância como Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e Uberlândia, entre outras.


Enquanto isso, o trabalho para ampliar a presença do Brasil no mapa como receptivo de viajantes que desembarcam motivados por tratamento ou cuidados preventivos com a saúde para o País, ainda requer transpiração e inspiração. A tarefa é abraçada pela Associação Brasileira de Turismo de Saúde (Abratus), que projeta atrair dois milhões de visitantes até 2030. Júlia Lima, presidente da entidade criada em 2011, confia que alcançada essa meta haverá um ingresso da ordem de US$ 20 bilhões na economia nacional. “Esse segmento atrai um visitante de maior poder aquisitivo”, salienta a presidente da Abratus. O patamar médio de gastos confirma: praticamente 50% gastam entre US$ 10 mil e US$ 50 mil com os procedimentos e especialidades procuradas e 16,3% se situam entre clientes com desembolso maior, entre US$ 50 mil e US$ 100 mil e 18,4% se situam na faixa de US$ 5 mil a US$ 10 mil.


Numa lista encabeçada por Canadá, Reino Unido e Israel, o Brasil aparece na 22ª posição entre os principais destinos mundiais em turismo de saúde, de acordo com o Medical Tourism - da Global Healthcare Resources. Mas Júlia Lima confia no esforço promocional capaz de elevar a expressão do País nesse ranking, trabalho que, segundo ela, passa pela cooperação técnica e inclui protocolo conjunto já firmado com o Ministério do Turismo para ampliar conhecimento, desenvolver e promover o ingresso de divisas decorrentes do segmento. 



                              Julia Lima e Ibrahim Georges Tahtouh


 


Excelência médica 


De acordo com a presidente da Abratus, “o Brasil reúne capacidade médica reconhecida internacionalmente, seja em procedimentos de baixa, média ou alta complexidade”, reitera. Entre as especialidades que destacam a expertise brasileira da classe médica e dos hospitais e clínicas estão: ortopedia, oncologia, cardiovascular, neurologia, fertilidade, cirurgias plásticas/cosméticos e odontologia. Os principais países emissores desses pacientes/visitantes são Estados Unidos, Emirados Árabes, Reino Unido, Egito, Omã, Alemanha e Kuait. 


A escolha dos tratamentos e a remuneração dos mesmos, conforme a dirigente, é feita tanto pelo paciente diretamente quanto pelas seguradoras e operadoras de saúde do exterior, na proporção de 50% para cada um. O interesse crescente das seguradoras de outros países em direcionar o cliente para o País, se justifica, sobretudo, pelo fator custo. No Brasil o valor cobrado chega a ser 45% inferior àquele praticado em procedimento similar na Europa ou Estados Unidos.


Permanência por períodos mais longos no destino é forte característica do viajante que recorre a cuidados médicos. Nada menos do que 83% ficam de uma a quatro semanas na localidade em que buscam recursos para tratar da saúde. Logo atrás (14,3%), vem o visitante que estende a estadia por período superior a uma semana. E 2% é a fatia que emprega tempo superior a um mês na localidade de seu tratamento. Manter uma base de dados é o que Abratus busca ao desenvolver ferramenta para, com ajuda da tecnologia, identificar o perfil do visitante e do médico, forma de assegurar maior segurança à informação e aperfeiçoar a comunicação entre as partes.



Projeto saudável


Tirar o turismo de saúde do terreno das intenções, dar vida ao debate e transformar o segmento em negócio. Essa é a trajetória de Ibrahim Georges Tahtouh, presidente da IT Mice Travel Solutions e idealizador da Brasil Health Tourism - BHT Concierge. O dado da Abratus de que 86% dos pacientes não viajam sozinhos reforça a figura do acompanhante como um cliente potencial para todos os serviços oferecidos no destino. Além disso “a permanência média de 15 dias anima”, considera ele - que tem classificado os meios de hospedagem dentro do critério que a atividade requer. 


“Envio questionários para os gerentes dos hotéis e a resposta tem sido muito boa, tanto no curto prazo para retornarem as questões quanto na receptividade a respeito da proposta, conta Tahtouh. Pelo menos três itens compõem as ‘boas práticas’ que o executivo - com ampla experiência no mercado de viagens de incentivo - ensina aos hotéis focados no hóspede paciente e seu acompanhante. “Os colaboradores precisam ter clara a necessidade do jogo de cintura ao receber o cliente, no que se refere a entender o momento e a condição física e emocional da pessoa que tem a saúde fragilizada e do familiar que a acompanha; saber lidar com pessoas que apresentem necessidades especiais de locomoção e outros tipos de limitação; e terceiro e muito importante item: não identificar o hóspede como doente, agir com naturalidade e cortesia”, acentua o executivo que também inclui entre suas tarefas treinamento para as equipes dos hotéis.


No papel de player do receptivo das viagens de saúde, Tahtouh acentua que a infraestrutura necessita ser diferenciada e sensível às especificidades do passageiro. “O transfer do aeroporto muitas vezes é direto para o encontro com o médico, também está no escopo dos serviços providências com documentação, vacina e suporte no destino, que em alguns casos requer um concierge volante”, explica Tahtouh.


O figurino do hotel 


Além do questionário distribuído para colher informações, orientar e certificar os hotéis - dados a serem utilizados pela entidade do setor de turismo de saúde (a Abratus) para compor seu arquivo de fornecedores e pensar estratégias -, Ibrahim Geroge Tahtouh, da  BHT Concierge, relaciona itens que aproximam as empresas de hospitalidade do ideal para o paciente.


O hotel precisa ter formato de acomodação mais próximo do long stay, com estrutura mais bem preparada para o hóspede; e com boa acessibilidade. Os quartos adaptados não devem lembrar o doente ou seu familiar da realidade em que vivem, o que pode ser contornado com pequenos cuidados na decoração. Deve haver flexibilidade na área de Alimentos e Bebidas, caso necessite de adequação alimentar. 


O processo para tornar o hotel apto à certificação inclui etapas como reunião pessoal com gerência e equipe; preenchimento do questionário, visita técnica e treinamento em especial dirigido a pessoal da recepção, camareiras e outros postos que tenham interação maior com o hóspede.


Portas mais largas 


Quem faz constantemente a lição de casa é o Saint Charbel. Há 15 anos numa área que fica meia quadra distante do hospital Sírio Libanês, nas imediações da Avenida Paulista, em São Paulo, o hotel vive a rotina de receber hóspedes em tratamento de saúde, assim como seus familiares e acompanhantes. Em operação como Flat e administrado pela rede Riema, o Saint Charbel conta com 92 apartamentos, dos quais 80 pertencentes ao pool e 12 destinados a residentes. Karen Zuchini, gerente geral do hotel conta que desde a concepção do projeto as instalações já foram pensadas com detalhes para receber o público do hospital, que corresponde a 55% do fluxo de hóspedes da unidade.


“As portas dos quartos desde a construção são mais largas e os diversos ambientes tem rampas e itens para assegurar acessibilidade”, frisa. O flat mantém tarifa acordo com o Sírio Libanês e os clientes contam com serviço de A&B adaptado às necessidades. A permanência média varia de 2 a 15 dias, nos casos em que o paciente se hospeda apenas para aguardar um diagnóstico. Para tratamentos mais prolongados, o prazo muitas vezes é esticado para um mês.  


Cliente fidelizado


O The Universe Paulista by Intercity, na capital paulista, que tem em suas proximidades os hospitais 9 de Julho, IGESP e Sírio Libanês olha com atenção redobrada para o hóspede que faz check-in no hotel com o intuito de cuidar da saúde. Ignacio Sasías, gerente geral da unidade, é enfático ao reconhecer a procura de pacientes e acompanhantes nessas circunstâncias. Entre 10 e 15% da ocupação do hotel é composta por hóspedes em tratamentos de saúde ou familiares. “Captamos demanda das famílias das pessoas hospitalizadas, seja prévio ou após processo médico”, relata.


Saúde gera receita ao The Universe Paulista em mais um aspecto; “recebemos muitos profissionais da área que chegam do interior de São Paulo e outros estados do Brasil a trabalho”, complementa Sasías. O executivo lembra que, pela proximidade com o hospital Sírio Libanês - referência no tratamento do câncer - hóspedes vindos das regiões Norte e Nordeste do país e também do interior paulista, representam parcela importante do contingente do hotel. 


Quanto às providências para adequar o ambiente, além da acessibilidade ser item que define a escolha do equipamento, Sasías lembra que a higienização antialérgica também precisa estar entre as práticas para o preparo do quarto e de outros ambientes. E também elucida que a equipe de Alimentos e Bebidas é treinada para um atendimento diferenciado, equilibrando as propostas gastronômicas de acordo com a dieta do hóspede.


Veja a matéria na página 16 da edição 408

Outras matérias


hotelnews

privacidade e segurança Copyright 2000/2014 KRM Edições e Comércio Ltda
Site mantido por Lutimo | Studio

Instagram

Facebook