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Edição 402

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Espaço nas alturas

Hotéis investem cada vez mais em atividades no rooftop


Bastante explorados no exterior, os rooftops - ou coberturas, em português -, começam a ganhar cada vez mais espaço no Brasil. Seguindo essa tendência, a hotelaria já percebeu as vantagens de apostar nesse filão, seja para montar um bar, um restaurante ou até mesmo para promover eventos. Além de serem uma boa opção de entretenimento para os hóspedes, também são bastante apelativos para o público externo.


“É um bom espaço para criar experiências: pode ser um bar, um restaurante, um lounge. Depende muito do público do hotel e o que ele quer oferecer”, afirma Cris Jacobsen, profissional que desenvolve projetos de arquitetura, design e consultoria para o segmento de hotelaria. “É importante criar cenários, encantamento, sair do comum. É preciso ter algo diferente”, completa.


Como as possibilidades para utilização do rooftop são grandes, vale criar um espaço multifuncional, que possa ser segmentado ou transformado de acordo com a ocasião. “É importante pensar em móveis leves, que possam ser movimentados facilmente”, explica a arquiteta Melina Romano.


Muitos hotéis apostam em espaços abertos nos rooftops. Para não perder a clientela em dias de chuva ou frio, é importante ter um espaço fechado ou instalar tetos retráteis. Nesses locais, é interessante utilizar móveis resistentes a diversos tipos de climas.


Para Melina, montar um bom bar é ponto importante em um rooftop. “É interessante ter uma boa carta de bebidas. O hotel pode convidar um barman para criar drinques autorais. Isso é chamativo”, acredita.


Também é comum a piscina ser instalada na cobertura, pois além de oferecer mais privacidade, o cliente pode apreciar a vista no local. “A piscina, independente do seu uso, tem que ser um ponto de encontro, ter boa iluminação e ser decorativa”, afirma Cris.



Diversas possibilidades


O Unique foi um dos percussores na exploração de rooftops em São Paulo (SP) com o lançamento do Skye, inaugurado com o empreendimento em 2002. O local reúne restaurante, bar e um espaço ao ar livre onde se encontra a famosa piscina vermelha, e oferece uma bela vista da cidade. A aposta deu tão certo que se tornou uma atração turística, além de ser responsável por um terço do faturamento do hotel.


Cerca de 90% dos clientes do Skye são externos e 10% são hóspedes. Além disso, os estrangeiros estão sempre presentes. “Recebemos cerca de 20 nacionalidades diferentes por noite e eles representam cerca de 50% de nossos clientes. São muitos norte-americanos, ingleses, franceses, holandeses, alemães, italianos, entre outros”, explica Wellington Melo, diretor de operações do empreendimento.


Além de receber o público, determinadas áreas do Skye podem ser reservadas para eventos, como o deck privativo, que comporta até 50 pessoas, além dos lounges no próprio restaurante. “Recebemos diversos tipos de eventos, desde reuniões até happy hours”, diz Melo.



O Yoo2 Rio de Janeiro by Intercity, localizado na capital carioca, também apostou em um espaço multiuso, com piscina, gastronomia e eventos, batizado de The Rooftop. Segundo Marcelo Marinho, diretor da Intercity, durante o dia o espaço é buscado para quem quer ficar a beira da piscina. Depois, o convite é curtir a carta de drinques criada por Jean Ponce observando a paisagem: Cristo Redentor, Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar.


“O espaço é também muito procurado para eventos e pequenos grupos”, diz. “O The Rooftop funciona para os hóspedes o dia todo, fechamos eventos corporativos e sociais, além de lançamentos de produtos e cenário para photo-shootings. Atualmente o faturamento representa 10% do total do hotel”, completa.


O WZ Jardins, localizado em São Paulo (SP), decidiu alugar sua cobertura para a utilização de terceiros, que abriram a Tetto Rooftop Lounge, misto de casa noturna, bar e restaurante. “A iniciativa partiu da gente. Escolhemos o WZ pela localização e pela vista deslumbrante”, explica Marco Bordon, sócio co-fundador da Tetto.


De acordo com Bordon, o público alvo é aquele que gosta de sair para conhecer novos lugares e que aprecia alta gastronomia. Além dos paulistanos, o local é procurado por turistas de outros estados e países. Os hóspedes do hotel também frequentam o espaço. “Viajamos muito e conhecemos os melhores rooftops de fora do país. Sentíamos falta de algo assim por aqui. Foi isso que nos impulsionou a apostar nesse modelo”, diz Bordon.




Espaço repaginado


Inaugurado em 2017, o Seen deu uma nova vida ao 23º andar do Tivoli Mofarrej São Paulo, localizado na capital paulista, e caiu nas graças dos hóspedes, críticos e visitantes. A ideia do espaço é oferecer gastronomia e drinques bem executados, em um ambiente descontraído e com uma bela vista da cidade. “Buscamos agitar as noites paulistanas e trazer a turma descolada da cidade de todas as gerações”, explica Miguel Garcia, diretor geral do empreendimento.


Para privilegiar o skyline do 23º andar visto através das janelas de vidro, os arquitetos do Estúdio Penha, responsáveis pelo projeto, deixaram o grande salão sem paredes, destacando o bar central em 360º. Outro destaque da decoração é o sofá de veludo de 65 metros, que contorna o espaço.


O menu, assinado pelo chef franco-português Olivier da Costa, possui um mix de pratos emblemáticos de sua cozinha e interpretados pelo chef William Ribeiro. Outra atração é o sushi bar comandado por Massahiko Enohi, com balcão revestido por azulejos originais do artista pernambucano Francisco Brennand, garimpados pelo Estúdio Penha. No centro de tudo, o bar tocado pelo barman Heitor Marin, que oferece uma série de drinques autorais.





Lazer e eventos


A cobertura do Quality Suites Oscar Freire, localizado em São Paulo, é o andar de lazer do empreendimento, onde ficam a piscina e a academia. Originalmente também contava com uma sala de descanso, com uma vista para o bairro dos Jardins. “Com o tempo, começamos a receber solicitações de clientes para promoverem reuniões e eventos no local. Foi algo que aconteceu naturalmente”, explica Leandra Gallo, gerente geral do empreendimento.


Para oferecer mais conforto e oficialmente apostar na venda de eventos na cobertura, o empreendimento reformou o local que abrigava a antiga sala de descanso. “Tiramos o teto que era todo de vidro e colocamos um forro, trocamos o piso. Além disso, colocamos uma estrutura física para eventos com telão e outros equipamentos”, conta Leandra.


A mudança já surtiu efeito. “Por conta da nossa localização estamos muito ligados com moda. Depois que mexermos na estrutura, recebemos mais solicitações para a realização de show rooms nesse espaço, por ser uma área mais descolada”, afirma a gerente. “Sempre enaltecemos a vista, que é o grande ponto do espaço”, diz.


O rooftop do Grand Mercure Rio de Janeiro, localizado na capital fluminense, reúne piscina, deck, duas saunas, fitness club, e o restaurante Í Bistrô, e pode ser alugado para eventos. “O contratante tem a opção de reservar o Í Bistrô, que recebe até 80 pessoas para jantares exclusivos ou 250 para festas com pista de dança. Pode alugar somente o espaço onde fica a piscina e o deck, com capacidade para 300 pessoas. Também disponibilizamos todo o andar para pocket shows, gravações para TV, cinema e publicidade, além de termos uma grande procura para o pacote básico de Day Use”, explica Raphael Martini, gerente geral do empreendimento.


Segundo o gerente, apostar no rooftops traz ganhos imediatos com seu aluguel para eventos e também com a exposição do hotel. “Muitas pessoas voltam para um almoço em família, fecham um espaço para confraternizações de empresas, reservam pacotes de Dia das Mães ou Dia dos Namorados, por exemplo, além de indicar o empreendimento para outros interessados em realizar eventos”.


 


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