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Edição 385

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O universo dos enxovais

Algumas das peças que compõem o enxoval de banho do Grande Hotel São Pedro (SP)

Conheça quais os critérios necessários para uma boa gestão das peças


Após poucas ou muitas horas de viagem, nada melhor do que finalizar o procedimento de check-in no hotel e poder relaxar em uma cama bonita, que seja convidativa ao descanso; e confortável, com materiais de boa qualidade. A configuração dos quartos influenciam muito na avaliação dos clientes, por isso é essencial haver um equilíbrio entre os elementos que fazem parte dos dormitórios. E os enxovais tem um papel fundamental nessa composição.


“A decoração do quarto e o enxoval da cama devem conversar entre si. Desde a paleta de cores das paredes aos detalhes dos acabamentos das fronhas e lençóis, tudo necessita estar em harmonia. Estamos falando de um ambiente que precisa trazer relaxamento ao hóspede. Se o quarto já possui muita informação na decoração, é importante que o enxoval seja clássico e elegante. Caso os objetos decorativos sejam mais sóbrios, o enxoval pode ser um pouco mais criativo com cores e acabamentos mais chamativos”, explica Mônica Pires, diretora de uma das principais empresas de enxovais de luxo no Brasil.


Na análise de Maria Cristina Lahr, professora da área de Design do Senac Aclimação (SP), a relevância do enxoval na decoração de um hotel varia conforme a categoria do meio de hospedagem. Nas unidades mais simples, o papel decorativo é pouco expressivo, mas nos empreendimentos de alto padrão, são itens fundamentais. A docente afirma que usualmente a escolha da marca e do modelo das peças é baseada nos padrões da bandeira e do público que frequenta a unidade hoteleira.


“A qualidade, a beleza e a textura das peças que compõem o enxoval são formas do hóspede tangibilizar a qualidade dos serviços oferecidos. O setor da governança é crucial para essa satisfação, já que os clientes levam em consideração a limpeza das unidades habitacionais, o conforto das camas, a qualidade do enxoval e o atendimento das camareiras”, destaca Maria Cristina.


Para Graziela Zanin, gerente geral do Grande Hotel São Pedro (SP), as prioridades na seleção do enxoval são a qualidade juntamente com a aparência do produto. A gestora enaltece que ambos os aspectos devem estar em sintonia, levando em conta fatores como a textura, a cor, a maciez, o toque e a durabilidade.


“A escolha das peças está diretamente relacionada com o estilo do hotel e o padrão dos apartamentos, de forma que se torne harmonioso aos olhos dos nossos hóspedes, além de proporcionar conforto, sensação de toque e demonstrar o asseio habitual”, pontua.


Controle e conservação


De acordo com Regina Segui, diretora de Produto e Segmentos da Atlantica Hotels, a rede possui aproximadamente 330 mil peças de enxoval em todo Brasil, levando em conta lençóis, fronhas, colchas de piquet, protetores de colchão e de travesseiro, cobertores, toalhas de banho, de rosto e piso. Atualmente a empresa administra mais de 80 hotéis no País, ultrapassando os 13 mil quartos.


A executiva detalha que o controle dos produtos é feito pela governança de cada empreendimento, em conjunto com as lavanderias terceirizadas. Regina explica ainda que esta opção por realizar as lavagens em empresas de fora é devido aos elevados custos de montagem e manutenção de uma lavanderia, além da falta de espaço disponível em muitos meios de hospedagem.


“A escolha correta da lavanderia vai interferir na conservação das peças. É importante verificar a qualidade dos serviços, dos equipamentos e do produto químico utilizado nas lavagens”, destaca.


Nos hotéis da rede, a reposição é feita diariamente, apesar de haver um informativo incentivando os hóspedes a reutilizarem o enxoval, visando a maior economia de recursos e a contribuição com a política de sustentabilidade da companhia.


Mônica Pires afirma que não só a Atlantica, mas a maioria dos empreendimentos da hotelaria nacional opta por lavanderias terceirizadas. Isso acontece geralmente pela falta de espaço para os maquinários, principalmente nos hotéis urbanos. “A principal diferença é que na lavanderia própria o uso de produtos químicos é mais moderado do que nas grandes lavanderias industriais; em contrapartida, o processo é mais demorado, o que impede a higienização de um grande volume de enxoval de uma só vez”, conta.


A executiva lembra ainda que muitos dos tecidos usados hoje na hotelaria são feitos de fibra natural - algodão. Por isso, é preciso alguns cuidados com a temperatura da água durante a lavagem e também na hora da secagem. “Temperaturas acima de 60o agridem as fibras e desgastam o tecido, ou seja, as peças têm sua vida útil de uso diminuída”, conta.


Graziela Zanin reforça que para reduzir as perdas é necessário que os processos de lavagem e armazenamento estejam de acordo com a característica de cada material. “Realizamos o acompanhamento mensal dos inventários das peças, avaliando o resultado do processo de lavagem e manuseio. Assim conseguimos mensurar as perdas e até possíveis recuperações de algumas peças danificadas”, conta a gerente do Grande Hotel São Pedro.


Na análise de Maria Cristina Lahr, docente do Senac Aclimação, um enxoval de cama de qualidade pode durar cerca de 200 lavagens se o empreendimento possuir, no mínimo, três trocas por leito. “O trato correto pelas camareiras, a boa manutenção do maquinário da lavanderia, a gestão do tempo de descanso da roupa e a conscientização dos hóspedes sobre a não necessidade da lavagem diária do enxoval vão favorecer a durabilidade das peças”, diz.


Escolha e compras


Os artigos essenciais que devem compor um enxoval de cama são lençol de baixo e de cima, ambos do mesmo tamanho, edredom com capa e fronhas. Mas muitos hotéis e pousadas investem em peças que fogem do padrão clássico, com mantas e peseiras de tricô coloridas, almofadas e rolinhos para enfeitar a cama, e travesseiros de diferentes tamanhos. “Nesse ponto, cada hotel vai incrementar o enxoval de acordo com o estilo do lugar: decoração mais urbana, clássica, moderna, praia ou campo”, destaca Mônica Pires.


A executiva conta ainda que no nicho de mercado up e middle scale, o tecido campeão de vendas é o 300 fios 100% algodão egípcio liso ou com listras. “O acetinado faz sucesso nos hotéis e o toque macio e geladinho sempre agrada aos hóspedes. Para suítes de núpcias ou presidenciais, o 600 fios 100% algodão egípcio também é uma ótima escolha, por ser mais nobre e com um toque que lembra uma seda, este tecido é um ícone no segmento de luxo”, indica.


O diretor de Operações da Vert Hotéis, Acácio Pinto, detalha que nas unidades da rede mineira o predomínio são as peças 180 fios mistos, algodão e poliéster. A preferência é sempre pela cor branca, por causa dos aspectos higiênicos, sendo que os tecidos coloridos são utilizados somente nas peseiras das camas.


Os hotéis do grupo utilizam quatro jogos completos para os enxovais. Nos apartamentos de casal, o conjunto é composto por oito lençóis, 16 fronhas, oito toalhas de rosto, oito de banho e quatro pisos, duas peseiras e dois edredons. Já nos dormitórios de solteiro, as peças são divididas entre 16 lençóis, 16 fronhas, oito toalhas de rosto, oito de banho e quatro pisos, quatro peseiras e quatro edredons.


“A troca desses itens costuma ser feita a cada três anos. A qualidade é sempre a mesma, variando apenas nas quantidades e tamanhos”. O executivo revela ainda que para um hotel de 100 apartamentos a média de gasto anual com a manutenção dos enxovais é de R$ 23 mil, a partir do terceiro ano de funcionamento do empreendimento.


Na opinião da professora Maria Cristina Lahr, o ideal é que o responsável pela decisão da compra das peças identifique os produtos que atendam à necessidade do seu público-alvo, que tenham um bom efeito decorativo, mas que, principalmente, acatem a relação custo-benefício exigida pelo hotel.


“Lençóis de percal 180 fios, por exemplo, são mais caros que lençóis de fibras mistas. Mesmo assim, são muito mais utilizados na hotelaria devido a sua maior resistência às lavagens. É possível unir questões decorativas aos mais exigentes padrões de qualidade”, avalia.


A docente do Senac argumenta que o predomínio pela escolha do enxoval branco acontece pois este possui algumas características importantes, fazendo com que dificilmente o padrão seja alterado. “As manchas são facilmente notadas, evidencia limpeza e higienização, é de fácil reposição, permite alvejamento e não desbota”, sintetiza Maria.


No entendimento de Graziela Zanin, a grande vantagem dos itens brancos é por eles serem ‘coringas. “As peças brancas se adaptam com maior facilidade ao conjunto do apartamento e às mudanças e reposições que possam sofrer, sejam de decoração ou estrutural. O processo de recuperação dessas peças é de quase 100%. Por outro lado, peças coloridas se desgastam mais e seu tempo de uso é inferior”, explica.


Reaproveitamento de enxovais


Em outubro do ano passado, a Rede Vert Hotéis apresentou para seus colaboradores uma cartilha de sustentabilidade, contendo 21 práticas essenciais para a economia de recursos e a preservação do planeta. Entre as ações indicadas pelo grupo estão a doação e o reaproveitamento dos enxovais, prática adotada desde o início das operações da empresa. “Um lençol de casal danificado na lateral vira um lençol de solteiro, ou ainda pode ser tingido e utilizado como pano de limpeza. Ao menos 50% dos itens vão para instituições de caridade, escolhidas de acordo com a transparência do trabalho e do apoio por igrejas e associações”, conta Acácio Pinto, diretor de Operações da companhia hoteleira.

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