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2019
06
05

Alejandro Moreno, da Wyndham Hotels & Resorts, fala sobre o momento dos resorts no Brasil

alejandro moreno

Resorts vivem um momento especial no Brasil

Três décadas na hotelaria retratam plena dedicação à atividade, dos quais 20 anos empregados em desbravar particularidades, potencial e desafios do Brasil. Alejandro Moreno, presidente e diretor geral da Wyndham Hotels & Resorts para a América Latina e Caribe, é um mexicano com brasilidade nas veias, tal a empatia que nutre pelo País. Ele, que na carreira atuou na RCI - divisão de timeshare da Wyndham Worldwide Corporation e gigante do segmento no mundo, além do Wyndham Vacation Ownership, é o homem forte do grupo para o continente latino americano e mercado caribenho. Comanda mais de 222 hotéis de 14 marcas, distribuídas em 14 países da região. Apesar da tradição do portfólio do grupo centrado no corporativo, praticamente 90% dos hóspedes, a hora é de diversificar. A assinatura By Wyndham dissemina a identidade da marca por todas as categorias (8 mil hotéis em todo o mundo), que incluem as aquisições recentes: Dolce, AmericInn, Dazzler, Esplendor e La Quinta.

 

HOTELNEWS: Com a experiência de quase 30 anos de carreira na hotelaria e 20 anos com atuação no Brasil, como você traça os rumos para o setor hoje no País?

ALEJANDRO MORENO: Em abril completo 20 anos de Brasil. Foram cinco no Rio e o restante em São Paulo. O País tem um movimento cíclico que requer muito preparo, muitos fatores que podem dificultar a forma de trabalhar e fazer negócios, mas por outro lado é um mercado com muitas oportunidades. Eu venho de uma área que atravessou momentos de fato difíceis no Rio, depois um período intenso de 10 anos no desenvolvimento do compartilhado. Mesmo nos períodos de crise haviam empresas viabilizando negócios de propriedade fracionada, projetos que ajudaram a criar os resorts. Passamos por vários momentos, de um Brasil eufórico a uma queda, que repercutiu sobre o emprego e comprometeu o crescimento, cenário que começa a dar sinais de recuperação. Mas o País é um jogador muito importante na América Latina, um estrategista. Outro ponto: antes havia o mito de que se a Argentina estava mal, o Brasil estava bem ou vice-e-versa, atualmente não é assim, os dois têm que estar bem. É um equívoco achar que estamos isolados, as economias são interdependentes. 

 

HN: As economias dos países latino-americanos são marcadas por altos e baixos. Como o Wyndham convive com esse cenário? Quais as premissas para investir e operar na Região e no Brasil?

AM: Eu acredito muito no Brasil, apesar de alguns complicadores – todo país tem – e no seu papel dentro da América Latina, porque realmente tem a força de impulsionar o restante do bloco. Como empresa internacional dependemos que todos esses países funcionem e toda a Região ganhe dinamismo. Que os brasileiros possam continuar a ir à Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Colômbia, pois o Brasil acaba sendo um hub que alimenta muito outros países. Temos quase 40 hotéis no Brasil, então também desejamos trazer pessoas das nações vizinhas para cá. Queremos manter a conectividade para que o cliente encontre como se movimentar em nossa Região e dentro de nossas marcas. Que o Brasil tenha a oportunidade de dar um salto (estudos do governo apontam que se acontecerem as mudanças com a reforma da Previdência seriam criados 8 milhões de empregos). Aqui tudo é grande, 8 milhões é muito emprego. Para o setor hoteleiro o que poderia oxigenar os empreendimentos seria a questão dos impostos. Ao contrário de outros países que têm um único imposto, aqui temos inúmeras versões de tributo e mudanças frequentes, o que requer investir muito para acompanhar. 

 

HN: Qual a sua visão sobre o futuro para os mercados da América Latina, levando-se em conta as especificidades de cada um?

AM: A América Latina tem uma resiliência. Quando um país não está bem, um segundo está maravilhoso e um outro mais ou menos. Estamos sempre apostando que vamos chegar às metas traçadas. A situação da Argentina no turismo vai bem, Buenos Aires nunca esteve tão em alta. Os hotéis registram índices muito elevados de ocupação, porque a Argentina é um país seguro, bonito, tem muito a oferecer. Os brasileiros desembarcam em peso por lá, o país vizinho é o destino internacional de estreia desse viajante. Há uma força regional muito grande que antes não tínhamos, graças inclusive às linhas aéreas. Nunca estivemos tão conectados, servidos muitas vezes por voos diretos. Fortaleza virou um hub com mais frequências e facilidades de voos para os Estados Unidos e Europa. As linhas aéreas estão apostando na Região e isso só pode beneficiar a todos, hotelaria, consumo e a economia como um todo. 

 

HN: Qual o formato de negócio que prevalece hoje no grupo Wyndham na AL?

AM: A hotelaria quatro estrelas, o Midscale, é o que mais se utiliza na América Latina. Se avaliar o perfil do turista de lazer, é muito aquele de primeira viagem – alguns brasileiros embarcando para fora do Brasil, criando a cultura de viajar, naturalmente recorrem à categoria intermediária para se hospedar. O cinco estrelas vem depois. O cliente procura produtos que tenham garantia de standard, escolhe a partir da marca e do tipo de produto. 

 

HN: Sob a ótica do grupo e em especial valendo-se da experiência profissional no setor, como encara as mudanças globais que vêm ocorrendo no universo da hospitalidade? Como vê o surgimento das plataformas de hospedagem compartilhadas?

AM: Temos uma posição muito clara em relação a isso. Primeiro, o Airbnb é um canal de distribuição que se junta a outros, tanto que em alguns destinos estamos em negociação a nível corporativo porque há localidades com demanda de hospedagem e sem acomodações suficientes. E também é uma forma de contatar o cliente. Longe de qualquer tipo de desentendimento com essa modalidade, vemos possibilidades no front, embora sem saber exatamente que direção eles irão seguir. O que acontece com o Airbnb é que ele não tem standards, o cliente vai tomar a decisão referenciada numa fotografia. Mas, tem cliente para tudo! É um modelo a mais de hospedagem, que vai ter seu público. É muito variada a motivação para escolher este ou aquele tipo de acomodação. O consumidor vai encontrar sempre o meio de viajar da forma como deseja, ninguém o obriga a nada. É evidente, por outro lado, que a questão de impostos precisa ser equalizada – mas esse é um tema para as autoridades definirem. Num hotel, não resta dúvida, você tem segurança, uma recepção, telefonia, alguém que vai te atender, limpar o seu quarto, enfim, tudo o que leva uma pessoa a fazer essa escolha. 

 

HN: O Wyndham mantém amplo leque e opções em hospedagem. Isso está mais ligado à flexibilidade estrategicamente pensada para corresponder à oferta ou é o mercado que sinaliza nessa direção?

AM: As duas coisas. Há cidades em que não faria sentido abrir um 5 estrelas, porque o público que visita é formado por pessoas que chegam para trabalhar, passam o dia todo fora e só utilizam o quarto para dormir. Pensar num resort numa praia também implica em estudar que tipo de serviços vamos oferecer, enfim. Mas se falarmos numa cidade como São Paulo, aí cabe tudo. Tem o hóspede que busca um hotel de duas ou três estrelas, um advogado ou outro profissional liberal que não abre mão de um cinco estrelas. Há áreas da cidade que são totalmente industriais e outras que são de lazer e de atividades culturais. A capital paulista seria o ápice da hotelaria, porque tem todas as categorias de acomodação e todos os perfis de cliente. Olhamos a oportunidade com critério e elegemos a marca mais adequada do portfólio. No Brasil o grupo atua com as marcas Ramada, Ramada Encore, Wyndham, Wyndam Garden, Days Inn e Tryp.

 

HN: Dentro do portfólio Wyndham, há sempre o movimento de novas aberturas. Quais os próximos passos, em especial no Brasil?

AM: Estamos abrindo um Wyndham Grand em Barbados, Belize e Nevis. Porque são mercados onde a demanda por estrutura de um cinco estrelas é muito grande. Na realidade, identificamos cidades com potencial como Buenos Aires, Quito, Bogotá, São Paulo, Rio para o Wyndham Grand, que têm atrativo e público para receber esse tipo de hospedagem. Há, ainda, hotel de estrada como o Super 8. Varia muito conforme o destino e o modelo do equipamento para a definição de produto para novas aberturas. Na questão marcas há algumas que não pensamos em trazer ao Brasil, por exemplo a
Hawthorn, voltada a longas estadias. Não faz sentido implementá-la aqui. Consideramos, entretanto, trazer ao País futuramente a marca Dazzler, que privilegia localização central nas cidades com maior facilidade de acesso. Dos 6 hotéis ou um pouco mais a serem abertos no Brasil até o final desse ano, metade é corporativo e a outra resorts. 

 

HN: Qual o cuidado para que o brasileiro se familiarize com a marca Wyndham e consolide a imagem do que vai encontrar em qualquer parte do mundo?

AM: É preciso seguir um padrão, cuidar do que se vai oferecer para que o cliente comece a se identificar com as marcas. A expressão ‘By Wyndham’ - que passou a complementar a logomarca dos hotéis - cria intimidade, uma identidade maior com o cliente, que assimila o conceito de standard. Interferimos apenas nos itens de conforto dos hotéis. Não influenciamos na decoração, o estilo do local é a proprietária que imprime. Temos uma arquiteta responsável por aspectos técnicos, mas o que vai dar o tom depende de cada investidor. É preciso haver uma experiência em cada hotel, com elementos daquela localidade. Quando o cliente viaja o que ele quer ver? É essa a experiência que conta.

 

HN: O que representa o início das operações de administração do Wyndham Gramado Termas Resort & Spa. Por que Gramado (RS) e no que difere o equipamento? 

AM: Tenho uma grande admiração pelo destino Gramado pela forma com que se trabalha os atrativos da cidade. Gramado tem feito o dever de casa na difusão do turismo local e há muitos empreendedores apostando na cidade. E é unânime também a impressão positiva do visitante. O Wyndham Gramado é o único resort com dois parques, um de águas termais e outro de neve, com ocupação estimada de 66% para o segundo semestre. 

 

HN: A propósito do investimento em Gramado voltado ao lazer e o fato do destino ser um case de sucesso, qual a sua opinião sobre como o Brasil explora o turismo de lazer? 

AM: Quando você analisa um hotel que abre e contrata 100 funcionários e olha para outro que admite 50 funcionários constata quanto essa atividade é pujante. A propriedade fracionada acaba tendo projetos que geram 200 postos de trabalho. A questão de um plano diretor com incentivos para a hotelaria seria bem-vindo. Ele seria capaz de evitar distorções como um episódio recente ocorrido no Rio, quando se instalou uma fábrica automobilística, que empregava 50 trabalhadores e um hotel em Angra, que gerava 150 postos de trabalho, finalmente quem teve acesso aos incentivos foi a fábrica de automóveis. Não se atribui importância para essa atividade no que ela gera em impostos, empregos, consumo. É observar quão relevante é esse negócio, porque o hotel impacta todo o entorno, e cria uma relação de desenvolvimento sustentável com a localidade e quem vive nela. 

 

HN: Existe espaço para crescer, sob a ótica do negócio?

AM: O desenvolvedor de resorts apanhou, enfrentou alguns anos complicados no Brasil, lembro quando Sauípe foi lançado, o consumidor brasileiro ainda não havia atingido o grau de desenvolvimento de hoje. Acompanhei a resistência de alguns empreendedores. O que mudou esse quadro foi a propriedade fracionada e o tempo compartilhado, modelo que guarda relação com os resorts na mesma proporção do condo-hotel frente à hotelaria corporativa. Há dificuldade de se obter crédito. O resort precisa ser grande, oferecer estrutura completa, já que o momento de lazer, férias é o mais importante de uma família. O cliente está procurando experiências diferentes. O Beach Park e o Rio Quente têm mais de mil apartamentos cada e Sauípe está indo muito bem, os empreendimentos de lazer começam a viver outro momento, os argentinos estão viajando para cá. A mudança já começou, antes faltava além do crédito, turistas que utilizassem essas estruturas, a malha aérea que chegasse aos destinos, o estrangeiro que viesse ao Brasil. Ainda falta muito, mas tem gente utilizando esses empreendimentos, o fracionado ajudou e agora resta que o hóspede se sinta familiarizado, goste e volte. Como se gera case de sucesso no turismo? O cliente começa a falar bem. É fato que os resorts estão num novo momento no Brasil, vamos ter ainda muitos hotéis bonitos, com boas estruturas sendo ofertados no País.

 

HN: E o Wyndham está atento à essa tendência e momento do mercado?

AM: Entendemos muito bem o modelo de propriedade fracionada e compartilhada, porque está presente no DNA do Wyndham. Então, operar esse tipo de hotel é algo que nós temos conhecimento pleno. Há o público proprietário, que utiliza suas semanas, e há aqueles que decidem deixar para o pool de aluguel como opção. 

 

HN: Com tradição em franquias, a Wyndham passou a operar hotéis. Qual o motivo dessa mudança?

AM: A mudança decorre do que foi sinalizado pelo mercado e entrar no modelo operativo para o grupo foi natural. Tanto que temos empreendimentos desta forma na Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Costa Rica, Belize, Barbados, entre outros destinos. Aqui no Brasil o marco é o Wyndham Gramado Park e teremos até o próximo ano o Wynham Grand, na Cidade do México.

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