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2018
15
08

Conheça Rafat Ali, CEO e fundador da Skift

Entrevista, skift

O CEO e fundador da Skift - a maior plataforma de inteligência da indústria e marketing em viagens, que fornece notícias, informações, dados e serviços a todos os setores da maior indústria do mundo – Rafat Ali conversou com exclusividade com a hotelnews sobre a sua carreira, e como vê a indústria de viagens, além, é claro, das oportunidades do mercado.

hotelnews: O que você fazia antes de se tornar fundador e diretor-presidente da Skift?

Rafat Ali: Minha carreira sempre esteve entre tecnologia e mídia. Quando comecei como jornalista em Nova Iorque (Estados Unidos), cobrindo a setor de mídia digital, vi os silos* se convergindo em indústrias tradicionais, devido à tecnologia. A PaidContent, primeira empresa de mídia que criei, cobria os silos decadentes em setores anteriormente separados de mídia, entretenimento e informação, que foram mudados radicalmente com o avanço da tecnologia e dos hábitos de consumo de mídia dos consumidores.

Depois de construir e vender a PaidContent ao Guardian Media Group, cheguei à conclusão de que era hora de usar essas lições e aplicá-las em um setor totalmente diferente. Turismo, a maior indústria do mundo, e seus respectivos setores estão passando por muitas das mesmas mudanças pela qual a mídia passou duas décadas atrás, já que as mega tendências mudam setores inteiros e implodem os silos.

(*silos: quando a estrutura de uma empresa está organizada por departamentos ou funções que não se comunicam entre si e limitam a sua cooperação).

HN:  Por que você escolheu investir na indústria da hospitalidade?

RA: No passado, viajar estava dividido em todos tipos de silos. O mercado de hoje se define pela consumerização de todas as facetas do negócio: impacto social sobre as resenhas e recomendações, otimização multiplataforma, entre outros. Pela primeira vez desde a Renascença europeia, o local do turismo está migrando para o Oriente, e para onde está ocorrendo grande disrupção e inovação em termos de design e experiência realmente voltada para o cliente. Isso possibilita uma época muito animadora para criar uma forma inteiramente nova de enxergar uma indústria gigantesca.

Para mim, pessoalmente, isso é também a confluência de toda a minha existência e experiência até o momento: cresci multinacional e multicultural entre o Reino Unido, a Índia e os EUA. Viajei muito e entendo o valor das viagens e o negócio respectivo para todo o mundo. Entender e construir uma marca influente no turismo me inspira e anima.

HN: No momento, quem você está admirando no setor e por quê?

RA: Eu tenho acompanhado a AccorHotels com bastante interesse em como eles têm passado por um frenesi de compras, tentando reinventar a sua sólida marca hoteleira europeia. E isso é estar disposto a sair da zona de conforto de apenas hotéis e partir para acomodações alternativas e outras partes do turismo. Eles também estão comprando empresas de turismo e serviço tecnológico B2B como forma de juntar tudo em um mesmo portfólio. Inclusive, acho que estão pensando em entrar para o setor de linhas aéreas com relatórios sobre o seu interesse em comprar uma fatia da Air France. Observar as principais apostas tem empolgante, e se elas derem certo ou não. Certamente, é a empresa mais interessante de viagem para acompanhar.

HN: Qual a maior mudança que você viu no setor nos últimos dez anos?

RA: A Skift está no setor há somente seis anos, então só posso comentar sobre este período. Há algumas grandes tendências: o crescimento dos turistas chineses e como isso está mudando tudo; a ascendência da acomodação e do transporte alternativos com empresas do tipo Airbnb e Uber mudaram tudo, ainda estão na fase inicial; o aumento do celular na viagem e como ele se tornou o principal dispositivo em todo o mundo. Certamente ao juntar esses três itens, temos um mundo totalmente mudado na década de 2010, em comparação com os anos 2000.

HN: Qual a próxima grande aposta do setor do turismo?

RA: Temos visto o crescimento das mensagens de texto e do comando por voz no setor tecnológico e a adoção muito veloz pelo consumidor. Esses dois juntos têm sido e continuarão a ser importantes para os turistas na forma como eles se comunicam e fazem buscas, o que, por sua vez, terá um grande efeito sobre os negócios de turismo e como eles interagem com seus consumidores atuais e futuros.

HN: O que no setor está chamando a sua atenção?

RA: A Skift cunhou o termo “Turismo excessivo” (“Overtourism”) em agosto de 2016 e desde então tem observado as questões em torno dele. O turismo excessivo representa um risco em potencial a destinos populares em todo o mundo, com as forças dinâmicas que movem o turismo frequentemente infligem consequências negativas inevitáveis se não gerenciadas corretamente. A Skift tem escrito muitos relatórios sobre o turismo excessivo por mais de dois anos examinando o impacto em locais como a Islândia, Barcelona e Amsterdã e muitos outros em todo o mundo.

Também temos buscado soluções sobre como os destinos podem começar a tratar dos problemas do turismo excessivo.

Nos próximos anos serão dois bilhões de turistas cruzando as fronteiras globais, o que vem a ser o grande problema que continuaremos a analisar.

HN: Você tem um hotel favorito no mundo e por quê?

RA: Um pequeno hotel boutique e de construção belíssima, chamado Palihouse, em Santa Monica, Califórnia (EUA). Eu morei nas proximidades por cinco anos e toda vez que volto, tento ficar nesse hotel. É um prédio histórico convertido em hotel e em todos os quartos parecem ter tido muito amor envolvido no bom gosto da decoração. Além disso, tudo parece silencioso e reservado no hotel, e o lobby é discreto, o que eu gosto bastante. Definitivamente vale a pena ficar lá se você for a Los Angeles.

HN:  Quem está moldando o futuro da hotelaria no seu ponto de vista?

RA: Eu mencionei a Accor anteriormente, no nível das grandes cadeias. Mas muita ação está fora do tradicional setor de acomodação, como o Airbnb e a Oyo (na Índia). Todo turista moderno também quer se hospedar agora em hotéis boutiques, independentes e únicos, e isto também está mudando o tipo de hotéis que queremos no futuro.

HN: Qual o segredo para criar um conteúdo de hotelaria sério?

RA: Nós adoramos a grande promessa de viajar: A viagem é a expressão mais progressiva da curiosidade humana. E nós na Skift temos essa abordagem quando cobrimos o negócio da viagem: não tem como ficar chato. Nós trazemos nossa curiosidade para cobrirmos o negócio do turismo e da hotelaria e sempre tentamos encontrar novas formas de enxergá-los. Esse é o nosso segredo não tão secreto assim.

HN:  Qual o seu próximo passo e do seu negócio? Está planejando trazer um fórum regional para a América Latina cogitando o Brasil para sediar o evento?

RA: A Skift agora tem seis anos como empresa e 55 empregados. Estamos expandindo nossos negócios indo mais a fundo em vários setores do turismo, como as viagens corporativas, as conferências, as viagens de luxo e outros mais. Também estamos expandindo geograficamente, com nosso foco maior na Europa em 2017-2018 e a Ásia agora está se tornando nosso foco no final de 2018-2019. É muito provável que vamos investir mais seriamente em cobrir a América Latina no segundo semestre de 2019 e em 2010. Talvez façamos nosso primeiro Fórum Latino Americano em 2020, e certamente o Brasil poderia recebê-lo.

Passamos além do setor do turismo para o de restaurantes, com a marca Skift Table (http://table.skift.com) e pretendemos construí-la com o mesmo foco que temos no turismo. Anunciamos nosso primeiro Fórum de Restaurantes Skift (https://table.skift.com/restaurants-forum/) em Nova York em 24 de setembro este ano, nossa primeira conferência no segmento.

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A Skift organiza o Skift Global Forum, que acontecerá entre os dias 27 e 28 de setembro, no Jazz at the Lincoln Center, em Nova Iorque (Estados Unidos). Para conhecer os participantes, acesse este link.  A revista hotelnews é parceira de mídia do evento. Para os interessados em participar que utilizarem o código HOTELNEWS no momento da inscrição, terão 20% de desconto. Para realizar sua inscrição, clique aqui

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