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2018
31
07

Milagros Ochoa fala sobre as estratégias do turismo no Peru. Será que o Brasil pode aprender algo com elas?

Milagros Ochoa Koepke

Brasil, Peru, Turismo

Diretora de Turismo do Escritório Comercial do Peru no Brasil, organização vinculada ao Ministério de Comércio Exterior e Turismo do seu país, Milagros Ochoa Koepke tem mais de 25 anos de experiência em estratégia, planejamento e promoção das exportações e do turismo. Formada em Administração Hoteleira, com especialização em Comércio Exterior e pós-graduada em Comunicações e Marketing, atualmente desenvolve no Brasil o trabalho de posicionamento do Peru como destino de lazer, viagens de incentivo e eventos, em coordenação com a PROMPERÚ (Comissão de Promoção do Peru para a Exportação e o Turismo).

hotelnews: O Peru passou de 1,4 milhão de estrangeiros que chegaram ao país em 2004 para 4 milhões em 2017. O que foi feito para incrementar esse número? E o que será feito para atingir a meta de 7 milhões de turistas até 2021?

Milagros Ochoa Koepke: Efetivamente, o Peru recebeu em 2017 mais de 4 milhões de turistas (62% da América Latina e 38% do resto do mundo), o que representa um crescimento de 10% em relação a 2016. No período de 2013 a 2017 o incremento foi de 30%.

Esses bons resultados são fruto de uma estratégia assertiva e de muito esforço do setor público e privado, liderado pela PROMPERÚ - Comissão de Promoção do Peru para a Exportação e o Turismo - em coordenação com os 30 Escritórios Comerciais do Peru no exterior (OCEXs), ambos vinculados ao Ministério de Comercio Exterior e Turismo (MINCETUR).

Muitos fatores contribuíram para esses resultados: reposicionamento da marca Peru, o sucesso da gastronomia peruana, as campanhas publicitárias, presstrips, ações para o consumidor final, plano de comunicação, diversificação da oferta turística, infraestrutura hoteleira, participação em feiras internacionais, rodada de negócios, relacionamento com os players de turismo, capacitação do trade, planejamento estratégico definido por países, entre outros.

O desafio de atingir a meta de 7 milhões de turistas até 2021 colocada pelo nosso governo demandará a continuidade dessa estratégia com os ajustes necessários e outras ações pontuais de acordo ao comportamento dos mercados.

Gastronomia peruana é sucesso de crítica (Foto: Perú Travel)

HN: Em quais países o Peru concentra esforços e por quê?

MOK: A PROMPERÚ define o plano de trabalho, entre outros motivos, por grupo de países: prioritários, estratégicos, emergentes e exploratórios, seguindo critérios de seleção que levam em conta o fluxo de turistas nos últimos três anos, o marketshare, o gasto médio, divisas geradas, PIB per capita e retorno do investimento, conectividade aérea e risco país.

O grupo de países prioritários e estratégicos está formado pelos seguintes 14 países: Chile, Estados Unidos, Argentina, Colômbia, BRASIL, Espanha, Canadá, México, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão e Austrália. O Brasil está no grupo de países estratégicos.

HN: Quais foram as estratégicas de promoção do país? Para cada mercado há uma estratégia diferente?

MOK: Além da estratégia por grupo, o maior cuidado da PROMPERÚ é o trabalho por país, de acordo com uma análise mais detalhada ao comportamento do mercado e ao Perfil do Turista Estrangeiro, pesquisa elaborada anualmente que norteia e auxilia a estratégia.

Os 30 Escritórios Comerciais do Peru no mundo estão presentes em países importantes e conseguem realizar um efetivo trabalho de relacionamento com o trade de turismo e entidades do setor, capacitação sobre o Destino Peru para as operadoras de turismo e agências de viagens, participação em fóruns, congressos e seminários, entre outros.

Arequipa (Foto: Perú Travel)

HN: E no Brasil? Como está sendo esta promoção? Se compararmos de 2013 a 2017, qual foi o crescimento de turistas brasileiros?

MOK: No período de 2013 a 2017 o incremento foi de 20%. Em 2013 recebemos cerca de 140 mil turistas brasileiros.

Em 2017 recebemos mais de 174 mil turistas brasileiros, o que representa um crescimento de 17,2% em relação ao ano de 2016. 42% foram turistas de São Paulo, 12% do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, 8% de Minas Gerais, 7% do Paraná, 5% de Santa Catarina, 2% de Brasília, Ceará, Bahia, Pernambuco e Goiás e 4% de outros. O Brasil representa 4,3% do marketshare. De janeiro a abril 2018, crescemos 19% em relação ao mesmo período doano 2017.

Acreditamos que Peru está hoje na lista de desejos dos brasileiros para viajar em algum momento. Conseguimos posicionar e consolidar nosso destino para lazer e viagens de incentivo.

Puno (Foto: Perú Travel)

HN: Como vocês promovem o turismo de luxo?

MOK: Em novembro de 2017, a PROMPERÚ fez o lançamento da nova campanha de publicidade “Perú, el país más rico del mundo”, cujo objetivo é mostrar a variedade de experiências turísticas que nosso país oferece, associada a nossa cultura ancestral e natural, rodeada de autenticidade e que faz do Peru um destino singular.

A estratégia está na nova concepção da riqueza longe do acúmulo de bens, já que hoje valorizamos mais as experiências vividas que geram boas lembranças, aprendizagem e o encontro com outras culturas que elevam nosso espírito.  

Esta campanha contribui para o fortalecimento do posicionamento do Peru no mundo como destino cultural, de natureza, de aventura e de gastronomia. Ela pode ser vista no site www.peruopaismaisrico.com.

O Peru possui uma excelente oferta hoteleira nas principais cidades: Lima, Paracas, Cusco, Vale Sagrado, Machu Picchu, Puno e Arequipa. E está bem posicionado no segmento de luxo pela infraestrutura e pelas experiências que eles oferecem aos hóspedes dentro do empreendimento e a seu redor.

HN: A oferta hoteleira no Peru também aumentou, passando de 9 mil, em 2004, para 21 mil em 2017. Há demanda suficiente para esses empreendimentos? Há alguma região que sofre com a superoferta de hotéis?

MOK: Entre 2011 e 2015, mais de 4.800 novos estabelecimentos de hospedagem foram integrados à oferta turística do Peru, representando um incremento de 33%. O número de hotéis passou de 15 mil em 2011 para 20 mil em 2015 (245mil quartos). O número de hotéis de cinco e quatro estrelas cresceu 36% entre 2011 e 2015 (157 hotéis) e de três estrelas cresceu 28% (1.023 hotéis).

As pesquisas apontaram que Peru precisava de mais empreendimentos hoteleiros. Entre 2017 e 2021 se estima a construção de 62 hotéis no país, o que vai significar um investimento de US$ 1.141 milhão e um aumento de 8.279 quartos. Dessa quantidade, 35 empreendimentos serão inaugurados em Lima, com um investimento de US$ 874 milhões, e 27 serão construídos em outras regiões. A oferta hoteleira em Lima cresceu 17%, entre 2011 e 2015, enquanto a entrada de visitantes em estabelecimentos de hospedagens aumentou 24% no mesmo período.

Cusco (Foto: Perú Travel

HN: Hoje, as atrações mais procuradas no Peru são Cusco e Machu Picchu. Mas há outras regiões crescendo. Vocês estão investindo nesses outros produtos?

MOK: A PROMPERÚ trabalhou na diversificação da seguinte oferta turística:

-Amazonas (Chachapoyas) – Turismo Natural / Cultural / Aventura (Trekking)

-Ancash – Turismo de Aventura (Trekking, montañismo)

-Arequipa – Turismo Urbano / Gastronômico / Natureza / Aventura

-Cusco / Machu Picchu / Choquequirao– Turismo cultural / Natureza / Aventura (trekking)

-Ica / Paracas – Natureza / Aventura / Historia

-La Libertad / Lambayeque – Turismo Cultural / Aventura (surf)

-Lima – Turismo Urbano / Gastronômico / Compras

-Puno – Turismo cultural / Natureza

Atualmente Lima é a porta de entrada ao nosso país e tem uma taxa de ocupação bastante alta, e a média de permanência é de três noites – antes isso era quase impossível. A segunda cidade mais visitada é Cusco, depois Puno, Paracas e Arequipa.

HN: O governo incentiva o investimento no mercado hoteleiro, seja para os empresários locais como para as grandes redes que querem desembarcar no país?

MOK: A Proinversión é a instituição governamental peruana responsável pela política nacional de promoção do investimento privado. Ela oferece aos empresários toda a orientação sobre o marco legal de investimento no Peru e possui uma carteira de projetos em infraestrutura, incluindo o setor hoteleiro. Por sua vez, os Governos Regionais do nosso país também trabalham com projetos de investimento em infraestrutura.

As principais redes hoteleiras internacionais estão instaladas no Peru nas diversas cidades turísticas, bem como as redes de capital nacional.

Machu Picchu (Foto: Perú Travel

HN: Qual a sua opinião sobre a promoção turística do Brasil no exterior?

MOK: Historicamente, o Brasil sempre foi um país com um polo industrial fortíssimo em diversos setores econômicos: têxtil, metalúrgico, petroleiro, calçadista, e não considerou o turismo como uma atividade econômica importante, que no futuro pudesse ser um gerador de negócios, de emprego, de desenvolvimento regional e de inclusão social.

A mudança da Embratur para Agência de Promoção possibilitará definir um plano de ação para aumentar o ingresso de turistas através de uma assertiva estratégia de marketing e aumentar sua competitividade diante das grandes potências turísticas mundiais.

HN: O que o Brasil pode aprender com o Peru para incrementar o número de turistas estrangeiros e também o turismo doméstico?

MOK: O mais importante é considerar o turismo como um setor de interesse nacional prioritário para o desenvolvimento do país. Nosso governo fez isso no ano de 2009 através da Lei Geral de Turismo nº29.408. O turismo deve ser incluído nos planos, orçamentos, programas, projetos e ações dos ministérios, governos regionais e locais e daquelas entidades públicas vinculadas às necessidades de infraestrutura e serviços para o desenvolvimento sustentável dessa atividade.

Nosso Ministério de Comercio Exterior e Turismo convocou os principais atores dos setores público e privado para elaborar de forma conjunta as novas bases do Plano Estratégico Nacional de Turismo – PENTUR 2025. Eles estabeleceram pilares ou linhas de ação que conduzirão o trabalho para conseguir os objetivos que são: diversificação e consolidação da oferta e dos mercados, facilitação turística e institucionalidade do setor.

O Brasil é um país intercontinental com mais de 200 milhões de habitantes e 27 estados federativos, então os desafios são maiores e mais complexos que os do Peru. O Brasil tem uma riqueza natural maravilhosa de norte ao sul para todos os segmentos: sol, praia, montanha, deserto, selva, assim como uma cultura diversificada e rica na música, dança, artes plásticas, entre outros. O governo federal necessita dialogar mais com o setor privado para articular uma gestão em conjunto.

Acompanho de perto o bom trabalho que alguns secretários de Turismo estaduais e municipais vêm fazendo pelas suas regiões para promover o turismo de mãos dadas com o setor privado.

A gastronomia regional é muito apreciada pelo resgate das suas tradições, é necessário divulgá-la mais através de uma efetiva estratégia de marketing para torná-la um motivacional de viagem.

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