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06

Confira a entrevista com Mariana Aldrigui, professora e pesquisadora de Turismo da USP

(Foto: Leo Barrilari)

Mariana Aldrigui, USP, FecomercioSP

Mariana Aldrigui, profissional que acaba de assumir o Conselho de Turismo da FecomercioSP, é professora e pesquisadora, e integra o corpo docente da Universidade de São Paulo (USP) desde 2006. Acumula 25 anos de experiência em diferentes empresas do turismo brasileiro, e participa ativamente de grupos internacionais que se dedicam ao debate sobre o setor e seus papéis econômico e social. Desenvolve análises sobre São Paulo e Brasil, com destacado interesse nas áreas de políticas públicas, educação e desenvolvimento do turismo.

HOTELNEWS: Conte um pouco sobre sua carreira e como decidiu estudar o setor de Turismo.

MARIANA ALDRIGUI: Eu morava em Limeira (SP), onde nasci. Sou de uma família muito rígida. Tive uma adolescência muito conflituosa, e queria sair de casa. Prestei todos os vestibulares que eu podia e passei em todos. Entre eles estava o curso de Turismo, na Universidade de São Paulo (USP). Durante e após a faculdade, trabalhei em agências, no Caesar Park (SP) e na rede Blue Tree. Depois de algum tempo, decidi fazer mestrado e um orientador enfatizou que eu verbalizo bem essa dicotomia entre mercado e academia, então fui por essa vertente. Assim, fiz um dos trabalhos mais bonitos da minha vida, sobre a questão de as escolas ensinarem uma coisa que o mercado não compreende, e porque isso não se ajusta. Trabalhei, depois, em algumas universidades e, em 2005, prestei um concurso para dar aula na USP, o que mudou completamente minha atuação: passei a ser pesquisadora da área de política. Na FecomercioSP eu fui convidada a presidir o conselho de turismo. A Federação entendeu que era importante contar com alguém de bagagem acadêmica, que pudesse produzir os relatórios necessários.

HN: Atualmente, o turismo brasileiro passa por uma crise. Como você vê o trabalho do Ministério do Turismo (MTur) e do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), bem como de seus líderes?

MA: Quando muita gente fala a mesma coisa, aquilo fica mais verdadeiro do que a própria verdade. É sempre essa fala estranha que todo mundo repete: “O Brasil tem tanto potencial”; desde 1930 falam isso. Se a gente ficar só falando nisso, vai dar algum resultado? A dinâmica política é de quem realmente circula naqueles corredores. O turismo nunca foi uma política de Estado no Brasil. Ter ministro de turismo seria bom se, inicialmente, a própria Presidência da República soubesse por que há este posto. Desde que o Brasil foi sede da Copa do Mundo, em 2014, o MTur nunca foi chamado para nenhuma decisão (infraestrutura, entre outros); entrou na conversa apenas quando já estava tudo definido. A Embratur, por sua vez, há três meses das Olimpíadas, disse que o Rio de Janeiro (RJ) deveria se promover. Há sempre essa leitura de que o segmento entra aleatoriamente. Existe a ideia de que o turismo é um grande unicórnio colorido, que você só chama quando vai fazer festa. Falta uma presença política que faça essa aliança e converse junto ao poder legislativo e aos outros setores do executivo; porém, antes disso, precisa ter alguém mais acima que compreenda o papel dessa atividade.

HN: Como você vê a entrada de Vinícius Lummertz no MTur?

MA: O novo ministro vai tentar se utilizar deste momento do Ministério para fazer as articulações necessárias e validar a Embratur como agência. Da forma como estão as coisas, acredito que este vai ser só mais um equívoco. Desmonta uma estrutura que, do ponto de vista de geração de dados e anuários era muito bom, e não há nada consistente para realizar esta mudança.

HN: Ao mesmo tempo em que o setor percebeu a deficiência de divulgação do Brasil no exterior, por exemplo, algumas autoridades afirmam que não há verba para aplicar na promoção turística. Qual a sua opinião a respeito? A verba destinada para a Embratur é mal gasta?

MA: Há projetos que são aprovados e a verba é alocada de uma forma que fica impossível de compreender. Por exemplo: dez ou 12 vezes mais dinheiro oficial foi gasto para construir portais de entrada em cidades - o clássico “Seja bem-vindo” - do que para qualificar porto e aeroporto. Para alguém, em alguma argumentação, isso traz benefícios. Mas eu ainda não consegui entender a relevância. Eu diria que há um gasto mal direcionado. Às vezes você, em não ponderando as opções, gasta mais em um coquetel que fideliza cinco agentes, do que em uma campanha no Youtube, por exemplo, para formar a opinião de quem tem entre 15 e 18 anos, que melhora, não agora, mas futuramente a imagem do País. A campanha “Aqui se habla portunhol” foi de extremo mau gosto, pode gerar sentido dúbio. Esqueceram-se de se colocar no lugar de quem está vendo. Foi, basicamente, desmerecer uma qualidade de turistas que nunca colocou o idioma como barreira. A partir daí, você aponta que tem um problema de língua. Os argentinos vinham felizes. Mas este tipo de situação pode mexer com valores internos e a pessoa nem sabe por que não gostou.

HN: Você acredita que houve realmente um planejamento das ações realizadas pela Embratur e pelo MTur, ou elas foram acontecendo ao acaso?

MA: A sensação que eu tenho é que os desafios são compartimentados e divididos entre pessoas que nunca mais conversam entre si. As ações, às vezes, são fundamentadas numa estratégia política, e talvez tenham outros interesses, mas não há uma explicação razoável nem para imprensa, e nem para pesquisadores. Acredito que há apenas uma meta principal de gerar notícia e anexar bons feitos ou boas mensagens à sua imagem pessoal enquanto ministro, ou presidente da Embratur, ou deputado, porque isso se transforma em plataforma eleitoral, em vez de preocupações claras sobre a promoção turística. Por exemplo: cerca de 30 mil russos vieram para o Brasil em 2014, na Copa do Mundo. Na ocasião, a seleção de futebol russa jogava. Com esta informação, o ministro do Turismo foi para a Rússia em missão, para abrir um escritório de promoção em Moscou, simplesmente “porque os russos vieram para o Brasil”. No ano seguinte, o número caiu, obviamente, para sete mil. Enquanto isso, o Chile, que manda de 300 a 350 mil turistas anualmente não tem um escritório de promoção brasileira, número que representa quase “40 Rússias” em volume. Não faz sentido, em restrição orçamentária, uma promoção num país que, para o Brasil, não tem o mesmo significado que localidades como Chile, Equador, Colômbia e Uruguai. Não há clareza de objetivos. Outro exemplo é o lançamento da Política Nacional de Qualificação do Turismo. O documento afirma que a ação irá gerar R$ 5 bilhões na economia e dois milhões de empregos. Primeiro: qual é o fundamento para afirmar isto? O que é este montante para a economia? De que tamanho é a significância dele? Os números vão sendo jogados. Para a Fecomércio, inclusive, uma das metas é reorganizar e traduzir esses números para que, enfim, façam sentido.

HN: No “Seminário Turismo e a Internacionalização do Brasil”, realizado pela Folha de S. Paulo no dia 15 de março, você afirmou que “o País tem muitos problemas, por isso não pode tratar o turismo como prioridade”. Por quê?

MA: Parece hipocrisia gastar dinheiro de um orçamento muito restrito se este recurso não for direcionado a quem paga impostos no País. Vamos olhar para destinos consolidados do turismo mundial, como Nova Iorque (EUA), Paris (França) e Londres (Inglaterra). Todos têm problemas urbanos, mas as pessoas se sentem respeitadas. Os visitantes conseguem se localizar, não precisam de guia, há mapas disponíveis, sinalização clara e compreensiva, e possibilidades de se alimentar facilmente. A segurança é uma sensação, e não algo objetivo; para nós, brasileiros, só vendo alguém uniformizado com arma na mão que nos sentimos seguros. Em Mônaco, por outro lado, não há visualmente nada, mas quase não existem ocorrências. As bem feitorias são feitas para quem mora na cidade, e não para o turista. Nesses locais, os serviços públicos sempre querem acolher quem mora. O turismo que as pessoas gostam é o que replica a vida do outro. Quando eu falo que não se deve gastar com turismo, é porque a prioridade atualmente é investir em iluminação, estrutura e segurança. A partir daí, mais pessoas vão caminhar pelas ruas, sair e sentar em bares. Não ficarão entocadas segurando suas bolsas em lugares fechados e, portanto, se sentirão mais tranquilas para convidar outras pessoas a viverem essa experiência. O próprio turista não quer ser visto como aquele ser que carrega a câmera e usa a camisa florida. Ele quer se sentir um cidadão.

HN: De forma geral, você acha que acolhemos bem o turista estrangeiro?

MA: Algumas coisas na forma como acolhemos o turista não fazem sentido. Em São Paulo (SP), durante Copa do Mundo, havia gravações em inglês em todas as estações de metrô. Porque não foram mantidas? Já estava pago. Já estava pronto. Era só mais uma demonstração de boas-vindas. O aeroporto, por sua vez, não tem nenhum lugar que caiba os dizeres “Bem-vindo a São Paulo”. Em Deli (Índia), você desembarca no meio de uma galeria de arte. Pode até custar caro, mas nós temos os coletivos de arte e grafite. Somente isto já mudaria a impressão inicial. É preciso sentar com as pessoas certas e pensar como seria possível escalonar prioridades e entender quais são as melhores iniciativas para a percepção do turista. Porém, isso fica sempre por último.

HN: Qual o impacto da violência no Rio de Janeiro na imagem do Brasil no exterior?

MA: Na mídia estrangeira, a principal notícia é a violência no Rio de Janeiro. Por mais que o estrangeiro olhe para o mapa e saiba que o Brasil é muito maior, a imagem se transpõe para todo o País. O Seminário da Folha de S. Paulo aconteceu no dia posterior ao assassinato da vereadora Marielle Franco. Foi o dia em que o mundo passou a falar da execução de uma representante eleita pelo povo. Este episódio deixa mais uma mancha na imagem brasileira no exterior e, sem custo nenhum, teve uma enorme repercussão; todos os jornais falaram do Brasil. A intervenção militar no Rio vai manchando mais ainda.

HN: Pensando nisto, quais os principais caminhos para melhorar esta imagem?

MA: Se o Rio está perdendo, por que não promover Foz do Iguaçu (PR), Recife (PE), Fortaleza (CE) e Natal (RN)? Você não precisa dizer que uma cidade está perigosa, e sim substituir os espaços de mídia com algo que seja comprável, e que tenha belezas naturais, enquanto o Rio não se organiza. A capital paulista é sensacional do ponto de vista do entretenimento. Onde está a gestão pública dos municípios litorâneos paulistas que não levam estes turistas para mostrar que existe um litoral do Estado que vale a pena, como Guarujá ou Santos? Nós não somos conhecidos. Pensando na elite que deseja viajar e se informa pela mídia estrangeira - que só fala sobre a violência e os problemas no Brasil - não há possibilidades de cogitarem o País como um destino. Precisaríamos de mais humildade para achar nosso lugar, entender como somos vistos, sabendo quem gosta de nós, quem nos acha exóticos, quem tem raízes e vínculos conosco, nos promovendo em lugares certos. Isso sem simplesmente copiar modelos internacionais. O México não é comparação, por exemplo, porque está muito próximo dos Estados Unidos. Os estrangeiros realmente acham que somos uma selva amazônica enorme e que há bichos correndo na rua. É a imagem que a gente construiu. Você não desconstrói isso só porque tem verba destinada para uma ação de marketing. A oportunidade que se perdeu foi toda a imprensa do mundo presente na Copa e nas Olimpíadas, e fazer com que conhecessem o Brasil de verdade; fazer seminário atrás de seminário, levá-los para realmente conhecer os destinos e as profundas questões culturais. Com isso, o formador de opinião muda sua leitura e começa a produzir textos mais interessantes.

HN: A capital fluminense ganhou muitos novos hotéis por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, com uma promessa de que o destino e o Brasil ganhariam mais turistas, o que não se concretizou. O que faltou ser feito?

MA: Todos nós sabíamos que a chance de dar errado era muito maior do que a de dar certo. Quais foram os argumentos oferecidos a essas empresas hoteleiras, e quem de fato acreditou que as coisas iriam mudar magicamente? O empresário achou mesmo que um evento de 40 dias mudaria toda a situação do estado? O governador foi condenado pela 22ª vez em função de desvio de verba, envolvendo orçamento, Copa e Olimpíadas. Como assim nós não imaginávamos que era tão grave? O setor não tinha clareza, mas tinha certeza de que isso iria acontecer. Estamos perdendo até mesmo o estádio do Macaranã; toda a estrutura está condenada por conta dos fogos do encerramento dos Jogos Olímpicos. A gente - do turismo - sabia, apontou, não fomos ouvidos, mas também não fizemos nada. Eu não teria coragem de trabalhar o setor da cidade neste momento. É hora de deixar o turismo quieto no Rio de Janeiro, se autopromovendo por meio do empresariado, e tentarmos sanar os problemas da cidade. O empresariado claramente não levou em consideração o histórico anterior, e não olhou para dados mais concretos da capacidade de expansão do mercado como um todo. Todo mundo apontou que havia superoferta. Um ou dois vão sobreviver e ganhar muito dinheiro; mas e os outros? Parece que nossa área não consegue nem lidar com as evidências que estão gritando na cara de todo mundo.

HN: Sobre o impasse existente entre o setor hoteleiro e plataformas como o Airbnb, qual a sua opinião?

MA: O Airbnb cresce tanto porque tem um preço que as pessoas podem pagar. Se elas estão comprando neste volume, vamos prestar atenção. Havia vontade e potencial de consumo que não estava atendido. Estamos mais predispostos a lidar negativamente com a novidade e colocar os empecilhos. A primeira pergunta que eu sempre coloquei para a grande hotelaria que comprou essa briga é: quanto vocês perderam de verdade? O discurso é sempre esse, mas desde dezembro as notícias que saem sobre ocupação hoteleira são positivas. Em segundo lugar: era esse público mesmo que a hotelaria queria? O perfil médio do usuário da plataforma é de jovens que viajam em grupo para fins de lazer. A questão dos impostos tem inúmeros aspectos jurídicos, mas há um em específico que as pessoas se recusam a discutir: se houver uma taxa de turismo claramente designada na legislação, federal ou estadual, que, se cobrada do Airbnb, o poder público garanta que seja revertida em benefício da atividade turística, eles estão dispostos a pagar? A questão é: não temos essa taxa. Do ponto de vista da atividade econômica no Brasil, muitos lugares mais afastados dos centros econômicos se beneficiaram. O problema é que a média da voz que representa o turismo é refratária, por definição, composta por homens, brancos, envelhecidos. São velhos falando pelo turismo. Vai ser difícil para uma pessoa que viveu a vida pelo turismo em hotéis de luxo entender o que é ficar, por exemplo, em um ‘iglu’ na Vila Madalena (bairro boêmio de São Paulo). Se você se recusa a enxergar o que está acontecendo, por qualquer motivo, você começa a brigar. Enquanto o turismo briga por isso, as equipes de competentes profissionais do Airbnb no mundo estão quilômetros na nossa frente. As casas de aluguel de temporada sempre existiram, e muito do turismo ainda utiliza esse modelo. Começaram a brigar com um conceito, e esqueceram o que fez a economia da sociedade durante muito tempo.

HN: Como você avalia a hotelaria brasileira e como a compara com mercados no exterior?

MA: Acredito que podemos falar sobre várias e diferentes hotelarias brasileiras. Sou muito fã da hotelaria por conceito. Mas me entristece demais quando você entra em um hotel que cobrou muito pelo nada que está sendo oferecido, e tem enxoval rasgado, frigobar barulhento, e quarto que cheira a mofo. A hotelaria alinhada com os padrões internacionais está ótima. Em cidades menores, por outro lado, muitas vezes há a necessidade de repensar o negócio. Claro que a carga tributária é intensa. Temos exemplos maravilhosos e que deviam inspirar outros países especialmente em boas práticas de gestão, tem gente realmente muito criativa, como o La Torre Resort (BA). Práticas da rede Bourbon e da AccorHotels de sustentabilidade, inclusão social e diversidade, também se replicam em hotéis de tamanhos diferentes.

HN: Você acredita que os profissionais estão preparados para lidar com a diversidade e com o turismo LGBT? E as universidades? Sabem ensinar estes assuntos?

MA: Sim e não. Depende sempre de quem você está contratando e de como é o treinamento. Se as contratações passassem de fato por um crivo adequado, dificilmente o RH aceitaria pessoas de valores questionáveis, ou que não se alinhassem à prática do hotel. O RH precisa ser mais cuidadoso para evitar a contratação de pessoas que tenham manifestações claras de racismo, de homofobia e de preconceito. Olhar as redes sociais, por exemplo, é um jeito muito fácil de perceber isto. Do ponto de vista da preparação do profissional, estamos com alunos e profissionais muito mais liberais, e espero que eles encontrem com professores que não invertam esse sentimento. Se as companhias permitirem que isso transborde, teremos empresas bem legais. Por outro lado, ter clara a missão e transmissão de valores da própria empresa e uma política transparente de como lidar com as ocorrências, também é essencial.

HN: Qual a importância que você dá para a hotelaria na cadeia do turismo? Falta empolgação?

MA: O turismo é pensar a atração do outro; a hotelaria, por sua vez, é suporte. Com outro olhar, como o destino, por exemplo, sem essa estrutura de acolhimento, não há o desenvolvimento da atividade. Temos a hotelaria tradicional europeia como grande modelo, que sempre nos seduziu em filmes. Quando começam a romper com isso e quebram o glamour, é a personalidade falando mais alto. É de fato o que representa a grande característica de uma comunidade. O acolhimento está expresso em como você monta o espaço do quarto, e em como oferece alimento para as pessoas. O café da manhã, por exemplo, é emblemático para o início do dia de um turista. Sobre a falta de empolgação, não acredito que exista. O que a gente percebe são cores de lentes distintas. A lente que você usa para enxergar o hoteleiro antigo, não enxerga esse novo hoteleiro “roxo”, a pessoa que está fazendo uma pousada diferente. Estamos falando de uma troca nova, de um acolhimento diferenciado, que marca estas características. A hotelaria é a personalidade, e é o que dá a identidade do turismo de um lugar.

 

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