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2018
24
04

Para Simon Mayles (ILTM), mercado consumidor mudou no mundo inteiro

ILTM, Luxo

São Paulo (SP) está prestes a receber mais uma edição da ILTM Latin America, feira de turismo voltada ao mercado de luxo. Nessa edição, o evento irá reunir na Bienal 360 expositores e 360 agências, que deverão realizar mais de 15 mil reuniões de negócios.

Conversamos com Simon Mayles, diretor da ILTM Latin America, que falou sobre a feira e também sobre o mercado de turismo e hotelaria no Brasil e no mundo. 

hotelnews: Além da mudança de nome, veremos mais alguma novidade nesta edição da ILTM?

Simon Mayle: Quando cheguei aqui eu não queria mudar a personalidade da Travelweek, que era bem brasileira. Mas a marca ILTM é muito forte no mundo inteiro, por isso alteramos o nome e o formato. Questionamos os expositores sobre o que eles buscavam e a resposta foi unanime: networking. Eles querem que façamos a intermediação do relacionamento com as agências, colocá-los em contato com pessoas com objetivos similares aos seus. Eles só precisam de uma agenda e de oportunidades para fortalecer esses relacionamentos. Então, agora, cada expositor terá uma mesa com sua marca e uma foto. Mas a feira estará linda mesmo assim. E os preços serão os mesmos das outras ILTMs, será mais acessível para o mundo inteiro, até para um hotel pequeno na Austrália, por exemplo. Aquela estrutura de madeira que utilizávamos levava cerca de cinco dias para ser montada, mais dois para a desmontagem. O tempo, o número de pessoas, a infraestrutura, exigiam mais investimento. Nós também alteramos o horário da feira, que deve se encerrar às 16h30. Desta forma, os eventos noturnos, que são muito importantes, começam mais cedo e vão até às 20h, e os participantes podem também sair para jantar.

HN: Quantos expositores e participantes são esperados? Há expositores que irão participar pela primeira vez?

SM: Teremos 360 expositores e 360 agências. Entre os brasileiros são 25 expositores, divididos entre hotéis, barco e operadoras, é um número muito bom. Deverão ser realizadas cerca de 15 mil reuniões em três dias. Temos 90 expositores novos no total e também cerca do mesmo número voltando, empresas que saíram nas últimas edições por causa da crise. A maioria é proveniente da Europa, cujo mercado se fortaleceu novamente. Na Europa havia problemas: terrorismo na França, Brexit na Inglaterra, algumas questões na Espanha com Catalunha e terrorismo, mas agora a situação está melhor e eles voltaram a investir na América Latina. Estamos trabalhando para ter mais presença da Argentina, Colômbia, Peru, México, e não somente das cidades principais. Em alguns dessas localidades, como a Colômbia, os clientes são como os brasileiros eram há alguns anos, quando a Travelweek foi lançada: precisam de indicações, são conservadores quando viajam, têm um pouco de medo de falar outra língua.

HN: Como você avalia a evolução do mercado de luxo no Brasil desde que você assumiu a direção da ILTM Latin America? Houve alguma mudança?

SM: O mercado consumidor mudou muito e isso aconteceu no mundo inteiro, como nos Estados Unidos e na Inglaterra. Eles começaram a dar prioridade para um jeito mais simples, mais rústico, mais básico de viajar. Antes eles buscavam o luxo tradicional. E a mesma coisa aconteceu aqui. O consumidor está mais low profile, não quer ostentar o que está fazendo. O Uxua (empreendimento hoteleiro localizado na Bahia) é um bom exemplo disso, ele é super low profile. Diante do momento difícil que o país está passando, as pessoas não querem mostrar para o mundo inteiro “ah, estou gastando esse dinheiro”. O viajante de luxo que teve sucesso na vida, ganhou bem, tem dinheiro para gastar, está aberto a aprender novas coisas, culturas diferentes, e também transmitir esse conhecimento para os outros. Hoje as pessoas também estão mais introspectivas, querem viagens de transformação, estão indo para localidades diferentes, não apenas para Miami, Nova York, Paris. O Japão cresceu muito. É um destino caro, mas os viajantes vão para lá atrás de uma cultura completamente diferente. As viagens de fé, onde é possível conhecer, por exemplo, mais sobre o budismo, o hinduísmo. Todos esses rituais nos transformam um pouco quando os vivenciamos. Eu acho que o mercado está mais sofisticado, mais aberto para conhecer lugares diferentes e destinos novos.

HN: Você falou sobre os consumidores brasileiros. E o Brasil como um produto de luxo, você acha que mudou alguma coisa desde que você chegou ao país?

SM: Eu já viajei para mais de 40 países, localidades completamente diferentes, e, sinceramente, acho que o Brasil tem todas as coisas que as pessoas querem em um destino. Vocês têm as praias lindas da Bahia, Florianópolis, Amazônia, Foz do Iguaçu, o povo com sua alegria, uma cultura tão forte e tão diferente do mundo inteiro, comida diferente. Há experiências de fé: macumba, catolicismo. Sem contar os produtos  lindos, independentes, místicos. O Brasil tem marcas como Mirante do Gavião, Ponta dos Ganchos, Fasano, Belmond Copacabana Palace. Antes faltavam marcas fortes conhecidas no mundo inteiro, como a Oetker Collection, mas elas estão chegando ao país. Porém, o governo precisa focar um pouco mais no turismo, já que o taxista, o restaurante, o boteco, as lojas de artesanato, todos ganham com essa atividade.

HN: Em sua opinião, São Paulo pode ser visto como um destino de lazer?

SM: Agora, pela primeira vez desde que estou morando aqui, São Paulo é visto como um destino cool. Em fevereiro eu peguei um voo da British Airways pra cá, uma semana antes do carnaval. A classe executiva e a primeira classe estavam cheias de casais viajando a lazer. São Paulo foi uma grande surpresa para mim, eu não imaginava que era tão legal. Tem vida noturna, cultura, bons restaurantes, o Ibirapuera, a Vila Madalena, o Beco do Batman. Todo mundo gosta do rooftop do hotel Unique, até minha madrinha de 72 anos amou. O Seen, do Tivoli Mofarrej, tem uma vista maravilhosa, me senti em Nova York lá. Mas acho que falta em São Paulo um hotel menorzinho, mais descolado e acessível, como encontramos no exterior.

HN: O Rio de Janeiro é considerado por muitos a porta de entrada de estrangeiros no Brasil. Com as recentes notícias sobre a cidade, como intervenção militar, você acredita que o turismo de luxo teve algum impacto?

SM: O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa, com praias lindas, pessoas lindas, natureza, cultura, hotéis como o Copacabana Palace, o Fasano. Talvez os estrangeiros que ficarem lá não vão perceber o que está acontecendo. E uma grande parte do mundo não recebe noticias como a da Marielle Franco (vereadora do Rio de Janeiro assassinada neste ano).

HN: A ILTM irá apresentar um relatório de tendências nesta edição?

SM: Na verdade estamos sempre publicando relatórios. Agora temos um conteúdo online chamado The View, onde divulgamos artigos sobre o setor. Na abertura vamos apresentar três conteúdos. Iremos abordar a macro economia da América do Sul. Segundo o economista Marcos Troyjo, da Universidade de Columbia, em Nova York, a expectativa para a região é muito positiva. Depois falaremos sobre a diferença entre cada país. Fizemos uma pesquisa sobre a Espanha. Os argentinos gostam de viajar para a praia, pois eles não têm muitas praias, então eles vão para Ibiza. Já os brasileiros gostam de Barcelona por causa da cultura e da comida. E a terceira é Jackie Huba, autora do livro “Monster Loyalty: How Lady Gaga Turns Followers into Fanatics”. A obra fala sobre a fidelidade do 1% dos fãs da Lady Gaga e como a cantora interage com eles, pois será essa parcela que irá compartilhar conteúdo, recomendá-la para as outras pessoas. Acho que vai ser interessante.

HN:  Como você vê a promoção do turismo brasileiro no exterior? O que a Embratur poderia fazer para melhorar o fluxo de turistas de luxo no Brasil? E como você vê o trabalho do Ministério do Turismo?

SM: O Brasil faz mais promoção no mercado de massa e não vejo eles fazendo nada para o mercado de luxo. O turista de massa vai para um resort all inclusive e fica lá, não movimenta a economia do local. O turista de luxo vai viajar para destinos como Alta Floresta, Amazônia. Eu acho importante divulgar outros destinos do Brasil além do Rio de Janeiro, pois a cidade é famosa mundialmente, mas São Paulo, por exemplo, não. A capital paulista recebe voos do mundo inteiro, é um destino super legal para o público LGBT. Recentemente eu perguntei para uma agência grande dos Estados Unidos o que eles acham do Brasil como destino para seus clientes, e eles responderam que o Zika ficou na cabeça de todo mundo. Há locais que tem o problema do acesso. Lençóis Maranhenses é maravilhoso, mas como você chega lá? Um viajante de luxo talvez pegue um avião privado. Mas a maioria não pode pagar por isso, é preciso pegar um carro 4x4.

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