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2016
20
06

Érica Drumond (Vert Hotéis) - Confidência Mineira

Crédito: Pedro Silveira

Érica Drumond, Vert Hotéis

Ex-secretária de Turismo do Estado de Minas Gerais, Érica Drumond tem intensa participação na hotelaria. A empresária é CEO da Vert Hotéis e sócia do grupo Maquiné Empreendimentos. Ela também ocupa o cargo de diretora da ABIH Nacional (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) e é membro acadêmico da Academia Brasileira de Eventos e Turismo. A mineira é graduada em relações públicas pelo Centro Universitário Newton Paiva e pós-graduada em marketing pela Fundação Getúlio Vargas e em estratégia de gestão e negócios pela Ohio University (EUA).

HOTELNEWS: Você vem de uma família hoteleira, dona do hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte (MG). Por que decidiu criar sua própria rede? 

ÉRICA DRUMOND: Em 2011, minha família não quis expandir o negócio e achei que deveria crescer por conta própria. Naquele momento, eu saí da Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais e comecei a dar forma à Vert Hotéis. A rede é a realização de um sonho, que idealizei com o intuito de desenvolver no Brasil uma hotelaria com foco na sustentabilidade. Também quis resgatar a hotelaria essencial, ou seja, oferecer uma boa noite de sono, banho revigorante e iluminação e ambientação adequada, para que o hóspede aproveite a vida dentro e fora dos hotéis. O bem-estar, conforto, atenção, segurança, conectividade e sustentabilidade são nossos pilares. 

HN: Como foi a sucessão dos negócios no Ouro Minas e qual é a sua participação na atual gestão?

ED: Continuo como sócia e faço parte do conselho do grupo Maquiné Empreendimentos, que administra o hotel Ouro Minas, além de outras empresas. Saí da administração do empreendimento quando fui trabalhar como secretária do Estado, então a sucessão se deu naturalmente, com meus irmãos. Acredito muito no líder que consegue se ausentar. Como diz Russ Crosson, CEO da Ronald Blue&Co, “a razão da liderança é ter quem nos substitua”. 

HN: Existe a possibilidade da conversão do Ouro Minas para alguma bandeira da Wyndham? Se sim, qual?

ED: Não creio, pois o Ouro Minas foi um sonho do meu pai, um visionário, que desejava que o hotel permanecesse na família. Da mesma forma, a Vert é um sonho meu de ir além, em busca de novos desafios. São desejos e projetos distintos.

HN: Na sua opinião há diferença entre homens e mulheres no comando da hotelaria? Por quê?

ED: As mulheres são mais sensíveis, observadoras e têm mais capacidade de exercer e conciliar diferentes tarefas ao mesmo tempo. No entanto, no empreendedorismo, conforme estudo da Serasa Experian, somos 43% a frente dos negócios e os outros 57% ainda pertencem aos homens. Mas acredito cada vez mais que as mulheres estão conquistando e ampliando seu espaço na sociedade. As diferenças são muitas, mas o que importa é o resultado e não as diferenças. 

HN: Até o final de dezembro, a Vert Hotéis abrirá 13 novos empreendimentos. Fale um pouco sobre o plano de expansão da rede e dos novos hotéis.  

ED: Ao comemorar seis anos de atuação no mercado hoteleiro em abril, a Vert se destaca como uma das empresas nacionais que mais cresce no segmento hoteleiro. Nos próximos 60 dias, abriremos quatro novos hotéis: e.suítes Lake Side (DF), Ramada Hotel Recreio e Ramada Encore Ribalta (RJ), Ramada Plaza Macaé (RJ) e um residencial com serviços, o e.suítes Residence (SP), novo segmento de atuação da rede. Recentemente, inauguramos outros três: o Ramada Plaza Curitiba (PR), o Ramada Hotel e Suítes Itaim Bibi (SP) e o Ramada Hotel e Suítes Recife (PE). Os investimentos previstos, entre diretos e indiretos, somam R$170 milhões. Até o final de 2016, a expectativa é que a rede salte de 12 para 25 empreendimentos em operação e o faturamento deverá ser superior a R$160 milhões, o dobro em relação a 2015. Além das novas aberturas, queremos consolidar os hotéis que já estão em operação. São seis anos e estamos apenas começando, cientes de que a caminhada ainda é longa, mas estamos satisfeitos com as conquistas. Mesmo diante do cenário de crise, somos uma empresa que faz questão de reforçar sua crença no país e na força do trabalho dos brasileiros. Ninguém, nem mesmo os péssimos políticos, deterão por muito tempo o gigante Brasil. 

HN: Quais são as características da bandeira Ramada Plaza, que é a primeira desta categoria no Brasil com a abertura do hotel em Curitiba (PR)? Qual é a expectativa da rede com a inauguração deste empreendimento?

ED: A marca Ramada Plaza é uma categoria uper scale, com conceito full service, ou seja, serviços completos de eventos e gastronomia. Esta característica tem tudo a ver com a história do Rayon, o hotel mais tradicional de Curitiba, reaberto em fevereiro. O empreendimento marcou a chegada da marca Ramada Plaza no Brasil e tem sido uma grata surpresa em relação aos resultados já alcançados, principalmente na realização de eventos.

HN: Com a reabertura do Rayon em Curitiba, como Ramada Plaza, a Vert Hotéis irá começar a investir no mercado de conversão upscale? Há planos para outras aberturas do tipo?

ED: A Vert Hotéis é uma administradora hoteleira multi marcas, que oferece diferentes produtos para os segmentos econômico, midscale e upscale, seja por meio de suas marcas próprias (Ícone, e.Suítes e Sentido), ou pela parceria com o Wyndham Hotel Group. Temos empreendimentos que acompanhamos desde o início das obras, outros que já estavam em operação e buscavam uma nova administração ou até mesmo hotéis que estavam fechados e precisavam de revitalização, como o Ramada Plaza Rayon Curitiba. Atuamos em todos os segmentos sem restrição, além de prestarmos consultoria técnica. Estamos abertos tanto para receber propostas como para irmos em busca de novos desafios.

HN: A Wyndham é a maior administradora hoteleira do mundo, com 7.190 propriedades, mas no Brasil é pouco conhecida. Qual é a estratégia da Vert Hotéis para tornar as bandeiras da marca Wyndham conhecidas no mercado, tanto consumidor quanto hoteleiro? 

ED: Recentemente, fui jogar golfe e assistir ao Encontro do Torneio Mestres 2016, em Augusta (EUA), com o acionista e o CEO da Wyndham, e falamos sobre o Brasil. Eles estão cautelosos como todos em relação ao país. Mas estamos falando do maior grupo hoteleiro do mundo e da representação da marca Ramada no Brasil, por meio de todos os canais de vendas, como e-commerce, OTAs de posicionamento, promoções, vendas globais, corporativo e gestão eficiente. Tudo isso associado a uma equipe comercial de alta performance, engajada, com sede agora em São Paulo e presença em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espiríto Santo, Recife e Natal. Além disso, a Wyndham acaba de abrir escritório próprio na capital paulista e contaremos também com uma equipe de vendas mundial no Brasil. 

HN: As bandeiras Super 8 e Tryp, da Wyndham, estão  presentes no Brasil, mas não são administradas pela Vert Hotéis. Por quê?

ED: Estrategicamente, os hotéis da marca Super 8 ficam em estradas. Nunca pensei em administrar hotéis super econômicos, então é natural que busquem outros parceiros.

HN: A AccorHotels aposta no mercado econômico, tanto que a bandeira ibis tem mais de 120 unidades no Brasil e muitas aberturas previstas. Qual marca da Wyndham Hotel Group administrada pela Vert Hotéis poderia fazer concorrência ao ibis?

ED: Gostamos de ser uma empresa que não se preocupa com os planos da concorrência. Estamos focados em fazer a nossa estratégia. A Accor é a gigante do Brasil e a Vert é pequena, mas de percepção forte. O Ramada Encore veio para concorrer com o ibis Style, com camas de 1,10m x 1,60m, pois o sono de nossos hóspedes é sagrado para nós. Trouxemos da Wyndham o conceito design econômico, utilizando decoração temática e moderna. Um produto diferenciado e com tarifas competitivas, mas que preserva o padrão da hotelaria essencial. Também estamos desenvolvendo nossa marca própria, a Ícone.

HN: A rede administrava um hotel em São Paulo, na alameda Santos, que atualmente é independente. Por que a Vert Hotéis parou de administrar este empreendimento?

ED: Devido a incompatibilidade com os proprietários e ao desejo de realizar sempre o melhor, com foco em servir. Não fazemos hotelaria pensando em síndicos e conselhos. Se o hóspede está feliz, o resultado chega positivo aos investidores e é isso o que eles querem. O que não pode acontecer é sermos contratados e não nos deixarem fazer nosso trabalho. Respeitamos os contratos, mas dentro das cláusulas de cancelamento. Deixamos de administrar com tristeza, em prol da integridade da nossa empresa.  

HN: Você acredita no formato condo-hotel como modelo de crescimento para a rede?

ED: Acredito. Por muitos anos tem sido assim no Brasil, as grandes empresas mundiais não conseguiram desembarcar no país, além da Accor, por não entenderem as peculiaridades do nosso modelo. Estamos passando pela dispensa da CVM (Comissão de Valores Imobiliários), mas ainda não tenho uma opinião definida sobre como ficará o crescimento dos condo-hotéis. Assim que a política brasileira estabilizar, espero que possamos voltar a buscar grandes investidores também para hotéis e não só crescermos pelas incorporações. 

HN: A Vert Hotéis precisou passar por ajustes por causa do momento econômico e político brasileiro? Vocês sentiram algum impacto nos negócios?

ED: Nas unidades, cortamos o que estava dentro do nosso controle de custos. Na sede, trabalhamos para que as novas aberturas aconteçam sem grande aumento do efetivo no corporativo.  A Vert Hotéis está otimista, pois acredita que, por ser uma empresa jovem, vai conseguir transformar esse momento de crise em oportunidade de crescimento e de destaque. A expectativa é alcançar os resultados planejados e se tornar cada vez mais uma referência para o mercado hoteleiro.

HN: Você já criticou abertamente no passado o governo Dilma, dizendo que a presidente falhou na continuidade das ações em prol do turismo. Você continua com a mesma opinião? O que o governo deve fazer para alavancar o setor?

ED: O desenvolvimento do país não pode e nem vai parar devido a problemas políticos, assim como o turismo. É preciso que as disputas sejam deixadas de lado e que o interesse do bem comum supere as diferenças. Não estamos falando em andar para direita ou esquerda e sim para frente, em busca do desenvolvimento, mesmo diante desse cenário incerto e da crise que nos penaliza. Acredito que ainda faltam investimentos em infraestrutura e na comercialização do destino Brasil no exterior, pois quem não o conhece, não o vende.

HN: Na sua opinião, como deveria ser feita a comercialização do destino Brasil no exterior?

ED: Nosso país é riquíssimo em belezas naturais e ainda tem muito a ser explorado. Temos praias entre as mais bonitas do mundo, diversidade em uma das maiores florestas do planeta, alagados repletos de animais selvagens, centros históricos e boa gastronomia. No entanto, temos um investimento pífio em promoção no exterior, falta planejamento e reconhecimento da importância do setor. Hoje podemos realizar a comercialização eletronicamente e explorar as mídias sociais. 

HN: A cadeira do Ministério do Turismo está bem ocupada pelo ministro interino Alberto Alves?

ED: Sim, gosto muito dele como pessoa e acho que foi um dos poucos que, mesmo sendo secretário executivo, já dominava as nossas prinprincipais dificuldades e necessidade do setor.  No entanto, a atual conjuntura política tem prejudicado a continuidade das ações e dos projetos, retratando o descaso pelo qual o segmento passa. A presidente Dilma já não tem mais condições nem mesmo dentro do congresso e não acredito que vá se preocupar com turismo ou mesmo com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). 

HN: Com sua experiência na vida pública, você acredita que existe vontade política para transformar o Brasil em uma potência no turismo de lazer?

ED: Não no atual governo. Não vejo vontade em nada, sempre faltou acreditar no talento turístico do país. O turismo é uma atividade pouco explorada diante do potencial que o Brasil apresenta. O país ocupa na atividade turística apenas 1% do fluxo mundial, tendo ainda muito o que desenvolver. A indústria do turismo pode ser mais rentável, por exemplo, que o setor industrial, além de ser menos degradante. Não é frase feita, mas acabei de falar isso no Equador: o Brasil é perfeito por natureza. Acho fácil colocá-lo no mapa mundial dos grandes viajantes. Podemos falar da liberação dos vistos e dos jogos.

HN: Você já foi secretária de Turismo de Minas Gerais. Em sua opinião, o que falta no Ministério do Turismo atual?

ED: Falaria primeiro com o ministro de Relações Internacionais e com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de exportações e investimentos), pois acredito que o Brasil pode sediar mais eventos mundiais de pequeno e médio porte. Creio que ainda falta vontade política e determinação para fazer o necessário. O turismo carece de muitos investimentos em infraestrutura, visando a melhoria dos nossos portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, pois nenhuma outra área da economia depende tanto de transportes como esse setor. Não é mais possível tratar o turismo separadamente, porque esta é uma atividade que requer estratégias de integração entre as atividades ministeriais. A junção das pastas de impacto direto no setor, como cultura, meio ambiente, infraestrutura, cidades, trabalho e renda, exportação para definição de prioridades estratégicas, alinhamento de políticas e aporte de recursos em programas de impacto nos destinos e regiões evitam a sobreposição de ações e investimentos de órgãos diversos nos mesmos programas e projetos em destinos.

HN: Você tem pretensões de retornar à política?

ED: Não tenho pretensões, mas sou movida a desafios e creio que me distanciar da Vert por um pequeno período não iria atrapalhar o desenvolvimento da empresa. Se o Brasil vai bem, nossas empresas vão bem. Não me negaria a trabalhar pelo país com independência, recursos, interação e honestidade. Se isso for possível estarei à disposição. 

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