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2015
07
01

Roberto Rotter (FOHB) - Capacitar é palavra de ordem

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Formado em Hotelaria pela escola de Lucerna, na Suíça; e pós-graduado em Administração Hoteleira em Salzburg, na Áustria, pelo Institute of Tourism & Hotel Management; o atual presidente do Fórum dos Operadores Hoteleiros (FOHB), Roberto Rotter, é membro da diretoria da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP), dos Conselhos de Turismo da Fecomercio-SP e do Conselho Nacional de Turismo (CNC). Ao longo de sua carreira, desenvolveu trabalhos em diversas redes nas áreas operacional, comercial, administrativa e de Marketing. Nesta entrevista fala sobre carreira, mercado, trabalho e perspectivas.

HOTELNEWS - Quando e por que o Fórum dos Operadores Hoteleiros (FOHB) foi criado? Qual é a missão da entidade em prol do segmento hoteleiro?

ROBERTO ROTTER - O FOHB foi criado no ano de 2002 para atuar em três principais eixos: Representação, Desenvolvimento e Informação. A entidade tem a missão principal de trazer ao setor uma visão ainda mais ampla e organizada do segmento hoteleiro no Brasil, primeiro por meio da consolidação de dados de mercado, depois pela troca de práticas entre os associados e, por fim, com a atuação direta em diversas esferas do governo, seja municipal, estadual ou federal. Buscamos criar condições que propiciem às associadas o melhor desenvolvimento das atividades de prestação de serviços de hospedagem em hotéis espalhados por todo o País, auxiliando na normatização e sistematização da classe do mercado hoteleiro em geral. Desde então, ao longo desses mais de 10 anos, compilamos dados setoriais que são utilizados tanto pelos nossos associados na formulação de seus orçamentos, como pela imprensa e por órgãos governamentais. Também promovemos encontros de relacionamento, aprendizado, e trabalhamos em ações que contemplam parcerias, projetos e eventos de capacitação e qualificação.

HN - Fale um pouco sobre os três principais eixos nos quais o FOHB se baseia.

RR - Focamos na ‘representação’ dos interesses das redes associadas e do mercado hoteleiro em geral frente aos setores público e privado; trabalhamos pelo ‘desenvolvimento’ do mercado turístico-hoteleiro, contribuindo para a modernização dos processos do setor e promovendo a atividade hoteleira no mercado de trabalho; geramos a difusão de ‘informação’ para prover conhecimento relevante ao setor, aumentando a abrangência dos dados e investindo no aprimoramento dos estudos realizados. Para fomentar discussões e a realização de projetos, o FOHB realiza encontros entre os associados por meio de eventos e grupos de trabalhos, como nas áreas Comercial, de Recursos Humanos e Responsabilidade Socioambiental, dentre outros.

HN - Quais os requisitos para a associação de uma rede?

RR - Para se associar ao FOHB é necessário que a rede candidata seja um operador hoteleiro atuante no mercado nacional e atinja uma pontuação mínima de 70 pontos, conforme os seguintes critérios: 10 pontos por empreendimento aberto; cinco pontos por empreendimento com abertura nos próximos 12 meses, dois pontos por empreendimento com abertura nos próximos 24 meses, cinco pontos por cidade em que opera.

HN - É sabido que há falta mão de obra qualificada na hotelaria nacional. Quais os principais problemas encontrados hoje em relação à capacitação e qualificação de serviços?

RR - No caso do FOHB, fazemos de tudo para que isso não seja uma ‘máxima’ na hotelaria nacional. Possuímos convênios com diversas escolas e universidades, que proporcionam descontos a milhares de funcionários das redes associadas. Prova disso é a rápida ascensão de jovens talentos dentro de diversas redes e que foram resultado de parcerias com o Senac, Supletivo Virtual e diversos outros institutos de ensino. Alguns exemplos de destaque são noticiados em nossa coluna ‘Perfil da Hotelaria’, publicada no Facebook do FOHB semanalmente. São muitas histórias de sucesso que colhemos junto às redes associadas.

HN - Muitos colaboradores de hotéis acabam migrando para outras indústrias por encontrarem melhores condições de trabalho e salários mais altos. Como você vê esse movimento e que tipo de ação poderia ser eficaz para reter esses talentos?

RR - Muito embora a situação de pleno emprego tenha realmente dificultado a atração e retenção de talentos não só na hotelaria, mas em diversas áreas do setor de serviço, o FOHB a enfrenta com políticas de RH que, além dos planos de carreira e consequente aumento salarial, incluem a oportunidade de capacitação e profissionalização dos nossos colaboradores. Cada rede possui uma política própria e estratégias variadas para formar e reter talentos. Alguns dos pontos que atraem colaboradores para a hotelaria de rede, além dos planos de carreira e das possibilidades de crescimento são: o glamour da hotelaria e a hospitalidade como diferencial de atendimento, além da possibilidade de relacionamento com diferentes culturas e de trabalhar em outros países por meio de oportunidades em unidades internacionais.

HN - No início deste ano, o FOHB fechou uma parceria com a American Hotel & Lodging Educational Institute (AHLEI). Fale um pouco sobre do projeto e os resultados até momento.

RR - Fechamos esta parceria no início do ano, sempre visando a profissionalização ascendente dos colaboradores de todos os nossos associados. Contempla uma série de descontos na aquisição das publicações da AHLEI, entre elas os manuais de boas práticas em diferentes posições da hotelaria; além de descontos nas certificações e cursos conduzidos pela associação. Temos como plano, a médio prazo, ampliar ainda mais a parceria, customizando alguns dos produtos do instituto para o Brasil e traduzindo para o português, de modo que sejam ainda mais úteis aos nossos associados. Os resultados só serão tabulados no final do ano, mas podemos afirmar que assim como outras parcerias, essa é mais uma que chega para agregar a outros modelos de sucesso já instalados no FOHB.

HN - O FOHB é hoje uma das únicas instituições que realizam pesquisas e trabalhos no segmento hoteleiro. Entretanto, representa apenas 26 redes. Em que pode auxiliar os hotéis independentes brasileiros?

RR - Por representar as principais redes nacionais e internacionais instaladas no Brasil e responder por mais de 20% do mercado em quantidade de unidades habitacionais, o FOHB acredita que pode auxiliar os hotéis independentes por meio da disseminação de melhores práticas no sentido da profissionalização setorial. A exemplo disso, destaca-se a criação de um sistema de estatísticas informatizado e que hoje está consolidado no mercado, com ampla amostra de dados - cuja nova versão poderá abrigar informações da hotelaria independente. Divulgamos permanentemente todas as novidades e perspectivas de mercado do setor turístico-hoteleiro no Brasil. Todas as informações contidas nesses estudos nos ajudam a entender a movimentação de mercado e beneficiam diretamente também os hotéis independentes, uma vez que os estudos permitem comparações com as redes associadas ao FOHB.

HN - Comparado a outros países, em que patamar de excelência está a hotelaria brasileira em termos de infraestrutura e serviços?

RR - O parque hoteleiro do Brasil vem se desenvolvendo a passos largos. Esse crescimento se deu em função do aquecimento da economia no fim dos anos 2000 e início desta década. Na maior parte das principais capitais temos hoje um parque hoteleiro novo e de oferta diversificada para todos os bolsos. Em relação à prestação de serviços, uma grande oportunidade para nos aperfeiçoarmos foi a realização da Copa do Mundo. Ao longo dos últimos anos, diversos setores, especialmente o da hotelaria de rede, investiram na capacitação e na qualificação profissional. Assim, para falar de ‘patamar de excelência’ também precisamos citar os incentivos do Governo, que ainda estão aquém do desejado.

HN - Com quais países o Brasil poderia aprender sobre hotelaria. Por quê?

RR - Sobre os líderes na excelência não podemos deixar de citar os Estados Unidos e os países da Europa, que foram precursores. Foi lá que nasceram as grandes redes hoteleiras que hoje são líderes mundiais. De qualquer forma, podemos falar que muito vem sendo feito em destinos da América Latina, como Panamá e Ásia, em termos de inovação na hotelaria, no uso de tecnologia como diferencial; em que se é mais sustentável; na proximidade com o hóspede etc. Acho que é uma questão de saber olhar os casos de sucesso em todo o mundo - e também no Brasil - para fortalecer cada vez mais nossa oferta.

HN - Neste ano de Copa do Mundo, qual o balanço da hotelaria brasileira? O parque nacional está preparado para receber turistas de várias partes do mundo?

RR - Este ano, o Brasil apresentou a melhor Copa do Mundo de todos os tempos, avaliação divulgada pela FIFA. No setor de turismo, acertamos em cheio. A hotelaria obteve bons resultados, com pesquisas que mostraram o item ‘hospitalidade’ como um dos mais elogiados pelos turistas, e taxas de ocupação que passaram dos 80% em dias e vésperas de jogos nas cidades com partidas mais atrativas. Com toda a experiência adquirida durante o mundial de futebol, evento com maior audiência no mundo, esperamos que esse aprendizado possa ser utilizado como base para outros grandes eventos que estão por vir, como as Olimpíadas de 2016, e assim possamos aproveitar ao máximo as oportunidades.

HN - O FOHB também faz parte da Organização Mundial do Turismo (OMT). Qual a importância disso para o setor e quais as principais ações que estão em pauta atualmente?

RR - A importância é ímpar para o turismo brasileiro. O FOHB estar vinculado ao principal órgão de turismo no mundo representa uma ligação direta com o cenário hoteleiro de 154 países que fazem parte do fórum global. Atualmente, somos consultados como uma forte fonte de dados e conhecimento do setor no Brasil, dividindo com todos os membros nossas pesquisas e dados estatísticos exclusivos.

HN - Em sua opinião, o MTur é atuante no que diz respeito à hotelaria? O que poderia ser melhorado no relacionamento entre o governo e o setor?

RR - Na atual gestão, sim. Desde o início das atividades do Ministério do Turismo no Brasil foram poucas as vezes que conseguimos vislumbrar uma atuação tão participativa do Governo Federal em ações funcionais e decisivas que envolvem todo o segmento turístico-hoteleiro no Brasil. O ministro Vinicius Lages tem nos surpreendido a cada dia, seja pelo seu vasto conhecimento na área ou mesmo pela seriedade com que encara os temas mais relevantes e propõe soluções para os problemas enfrentados pelo setor. O FOHB considera-se um grande parceiro do MTur e colabora constantemente com ações que valorizem o apoio à regulamentação setorial em todas as suas vertentes.

HN - Como você vê a reformulação da Embratur anunciada pelo Ministro Lages. Vai beneficiar a hotelaria?

RR - Apresentamos ao MTur a ‘Agenda de Competitividade para o Setor Hoteleiro do Brasil’, projeto que reúne os principais aspectos a serem debatidos em conjunto entre a iniciativa privada e o poder público. Neste documento abordamos a proposta de um novo modelo de gestão da Embratur, com a participação efetiva da iniciativa privada na elaboração de estratégias e condução de atividades de promoção turística do Brasil para o mercado doméstico e internacional. Nossa expectativa é que seja criada uma empresa de caráter público-privado de promoção do Brasil (interna e externamente), enfatizando os diferenciais do turismo nacional. A participação da iniciativa privada nas decisões governamentais que pautam o futuro do turismo e a promoção do Brasil é algo de extrema importância e que deve estar na agenda dos nossos governantes.

HN - Além do FOHB, você acabou de assumir uma das vice-presidências da Confederação Nacional do Turismo (CNTUR). Quais são os seus desafios e projetos desse posto?

RR - A parceria com a CNTUR é um acordo de cooperação técnica, ou seja, assumi uma das vice-presidências para promover ações conjuntas e políticas públicas de fomento ao desenvolvimento do setor hoteleiro e do turismo nacional. Tudo será pautado pelos desafios que compõem este crescimento, tais como a importância da capacitação dos profissionais do setor, mais incentivos do poder público, reconhecimento do governo sobre a indústria turística e a própria disseminação do conhecimento por meio de dados e estudos, além da promoção cada vez maior do relacionamento entre entidades, hoteleiros e outros profissionais.

HN - A entrada de motéis e residências (serviços como Airbnb) no mercado pode atrapalhar os hotéis?

RR - Especificamente sobre o Airbnb, por enquanto, podemos concluir que é uma realidade mundial, por isso não devemos seguir na direção contrária de uma tendência. Cada hóspede tem o livre arbítrio para optar pelo tipo de hospedagem que lhe é conveniente. No Brasil, a principal questão desse tipo de acomodação é a regulação condizente com o segmento, que necessariamente deve ser implementada pelos órgãos competentes. Os hotéis representam uma vasta fatia da economia e pagam bilhões de reais em impostos ao governo, além de captarem recursos para a construção de novos empreendimentos, gerando emprego, renda e capacitação a milhares de brasileiros. Além disso, as redes hoteleiras oferecem serviços de alto valor agregado, levando em conta a segurança e o bem-estar de turistas, seja ele um hóspede de lazer ou de negócios.

HN - O FOHB é a favor da regulamentação de motéis como meio de hospedagem?

RR - Esta é uma medida que está sendo debatida diretamente entre Ministério do Turismo e a Associação Brasileira de Motéis (ABMoteis). É um pleito da associação. Como essa regulamentação não afeta o FOHB, não vemos a necessidade de termos um posicionamento oficial a respeito.

HN - A regulamentação do segmento de condo-hotéis pela Comissão de Valores mobiliários (CVM) tem sido amplamente debatida nos últimos tempos. Como o FOHB vê esta questão?

RR - A regulamentação dos condotéis pela CVM é um tema que corre entre os stakeholders envolvidos, em reuniões constantes entre a autarquia, FOHB, Secovi e advogados das partes. Enquanto não houver uma definição final sobre o tema, não iremos nos manifestar oficialmente. Podemos afirmar que o FOHB defende os interesses de seus associados e que mudanças no ambiente regulatório podem prejudicar o negócio, aumentando os custos e diminuindo o ritmo do crescimento do parque hoteleiro no Brasil. Defendemos que são casos isolados as ofertas de quartos de hotel que se enquadram na distribuição de um valor mobiliário – os empreendimentos comercializados por meio de cotas. A maioria é oferta imobiliária, ou seja, da unidade autônoma. Hoje, cerca de 55% dos hotéis em construção ou em planejamento no Brasil segue a estrutura de condotéis e há mais de uma década esse modelo de viabilização dos empreendimentos gera emprego e renda, colaborando para uma vasta fatia da economia brasileira: o setor turístico.

HN - Na opinião do FOHB quais os principais entraves que impedem a hotelaria de crescer e se desenvolver no Brasil?

RR - Ainda precisamos de uma maior participação do Governo Federal em obras de infraestrutura que impactam diretamente a cadeia produtiva do turismo. Defendemos um olhar especial às melhorias nos principais modais que movimentam a indústria do turismo, como portos, aeroportos e estradas. Não podemos esquecer o item ‘segurança pública’, tema que interfere diretamente no momento da decisão do turista em escolher o local de sua viagem. E volto a citar a ‘Agenda de Competitividade para o Setor Hoteleiro do Brasil’, projeto que nos ajuda na aproximação efetiva junto ao Governo Federal e o MTur. Dividido em três pilares fundamentais: Relações Governamentais, Desenvolvimento Setorial e Promoção Turística, o projeto avançou em diversos temas graças ao valioso apoio do MTur, que já articulou contatos com parlamentares, outros ministérios e órgãos governamentais para que todos os tópicos propostos sejam tratados com a seriedade merecida, em defesa de um dos principais segmentos econômicos do Brasil.

*Entrevista publicada na edição 383

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