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2014
26
09

Alexandre Sampaio (FBHA) - Conquistas, legados e pleitos

alexandre sampaio, entrevista

Empresário com mais de 25 anos de atuação no setor hoteleiro nacional, Alexandre Sampaio vem acumulando lideranças no setor de hotelaria e alimentação fora do lar. O segundo mandato na presidência da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), acumula atualmente com a função de diretor da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), onde também coordena a Câmara Empresarial de Turismo e ocupa um assento no Conselho de Turismo. Nesta entrevista, o dirigente fala de conquistas, legados e aponta dez pleitos para o novo presidente do Brasil.

HOTELNEWS - Que balanço individual de cada uma das cinco regiões brasileiras o senhor faz para a hotelaria na Copa?

ALEXANDRE SAMPAIO - As expectativas criadas em torno do Mundial de Futebol resultaram em estímulo de investimento na hotelaria, além da construção de novos hotéis. Por outro lado, tivemos a perda do público que não viajou durante o torneio, principalmente o hóspede de negócios - devido à suspensão de eventos, encontros, convenções e treinamentos corporativos nos meses de junho e julho. Olhando mais especificamente cada região, podemos constatar que em Manaus, única cidade-sede da copa da região Norte, o aumento da oferta de hotéis melhorará a qualidade de atendimento, principalmente na Zona Franca. No Nordeste, Fortaleza por possuir um representativo número de empreendimentos, atendeu às expectativas em relação à qualidade e aos serviços. Em Natal, apesar dos poucos jogos, a cidade foi muito bem avaliada pelos turistas. Recife teve um incremento importante de hotéis novos e por ter uma demanda crescente não deverá ser afetada na sua diária média ou taxas de ocupação. Salvador ganhou inúmeras unidades e já vinha passando por dificuldades de ocupação baixa e valores de diárias aquém do desejável. Apesar de ter tido números expressivos durante a competição, certamente deverá ter dificuldade na ocupação durante algum tempo.  No Centro Oeste, Brasília ganha sete novos hotéis no período de 2013 até 2016, necessário para a capital federal. Em Cuiabá são 13 novos investimentos hoteleiros, o que deve causar demasiada oferta para este mercado. Já analisando o Sudeste, percebemos que Belo Horizonte cresceu exponencialmente, principalmente os condotéis, o que acarretará sérias consequências na rentabilidade deste parque recém-instalado. Para a Copa do Mundo, o Rio de Janeiro manteve as melhores taxas de ocupação, registrou os menores índices de devolução de quartos reservados pela Match e o melhor faturamento de todas as praças da competição. São Paulo teve uma queda brusca de ocupação, pois é um destino corporativo. Finalizando, na região Sul, Curitiba vivencia uma conjuntura adversa de tarifas e índices de ocupação abaixo de outras épocas, e Porto Alegre foi contemplada desde 2013 com dez novos hotéis que serão inaugurados até 2015. Se o agronegócio for bem, a capital gaúcha não terá grandes problemas.

HN - Capacitar rapidamente a mão de obra para o mundial foi, particularmente, um desafio para o setor de hospitalidade e A&B. Como o senhor avalia a eficiência do Pronatec?

AS - Depois dos problemas vivenciados pelo Ministério do Turismo com relação aos convênios do Bem Receber Copa, que entendemos teriam cumprido sua missão se não tivessem sido tragados pela  rotulação de incorretos, creio que o Pronatec foi a única opção que restou.  Por mais que os cursos do Senac tenham reconhecida excelência, inclusive internacionalmente, sua capacidade de atendimento foi limitada para atender às demandas geradas pela Copa do Mundo. Além de terem que lidar simultaneamente, com o programa de gratuidade da legislação em vigor, sua grade de ofertas de cursos não é muito extensa na área do turismo.

HN – A nova classificação dos meios de hospedagem (SBClass) teve entre os objetivos estabelecer, no País, um padrão que pudesse balizar a qualidade dos serviços, por categoria. A que atribui a baixa adesão dos hoteleiros ao sistema?  

AS - Este tema é recorrente e atribuímos a baixa adesão aos próprios condicionantes que a iniciativa privada solicitou quando do lançamento da proposta. Qual seja, a não obrigatoriedade de constar como exigência de cláusulas de licitações de compras de diárias hoteleiras por órgãos públicos e não fazer parte de condicionantes de aquisição de pernoites ou eventos por parte de empresas governamentais. Por outro lado, o baixo custo e a validade por mais de um ano deveriam ser fatores de atração, que não empolgaram, pois a fiscalização dos órgãos estaduais não funciona. O empresário sério é, então, levado a pensar que existem concorrentes que usam classificações falsas sem serem coibidos; que materiais de propaganda mencionam padrões que não correspondem ao realmente oferecido; e que uma classificação formal hoje em dia, na verdade, não é fator preponderante na escolha pelo cliente de seu hotel.

HN - As tarifas praticadas pela hotelaria brasileira foram alvo de críticas do governo, e o Rio de Janeiro é, tradicionalmente, um dos mercados mais caros do País. Como evitar um novo embate durante as Olimpíadas?

AS - Primeiro vamos deixar claro que a abordagem de tarifas caras para a Copa do Mundo foi uma política equivocada e sem fundamento da Embratur. Como consequência, perdemos turistas estrangeiros que viriam para a competição. Os preços hoteleiros no campeonato mundial de futebol da Fifa foram contratualizados com bastante antecedência, em número suficiente para atender à demanda prevista. Com a definição no sorteio da sequência dos jogos, muitas reservas não se confirmaram e, dentro do que previa o contrato, quartos foram devolvidos e recolocados no mercado, inclusive em valores abaixo do usualmente praticado. Aquela ideia disseminada de maneira precipitada mostrou-se equivocada porque sendo um atributo dos órgãos de defesa do consumidor, foi assumida pela entidade responsável pela divulgação do País, o que denotou proselitismo e pouco diálogo para resolver problemas pontuais. Para as Olimpíadas, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) já tem unidades em número quase suficiente para suprir as exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI). Como os níveis tarifários já foram negociados, não acredito que acontecerão reclamações de valores aviltados, até porque a oferta nos próximos dois anos no Rio de Janeiro crescerá de maneira exponencial.

HN - A hotelaria tem quatro entidades de classe e nenhuma grande ação mobilizadora conjunta para o setor. A que o senhor atribui essa falta de sinergia?

AS - Permita-me uma correção: temos sim muitas ações sinérgicas. A Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e a Resorts Brasil convergem em pleitos amplos que abrangem a maioria de nossas reivindicações. As quatro instituições agem de maneira conjunta em inúmeras demandas, onde já encaminharam documentos com solicitações a inúmeras autoridades, reforçando nossa unidade. O que temos são especificidades que fazem com que as estruturas tenham mais objetividade no atendimento, organizando-se individualmente. A FBHA, por exemplo, é uma entidade sindical de segundo grau formada por sindicatos patronais e não empresas, que estão vinculadas a esses organismos sindicais. O FOHB reúne interesses das redes, assim como a ABIH de grande parte da hotelaria independente. A Resorts Brasil atua canalizando segmentações que envolvam este tipo de empreendimento. Temos estudado ultimamente uma racionalização de custos operacionais, dado que todas têm escritório em São Paulo. Analisamos a conveniência de termos um só endereço na capital paulista.

HN - Qual é, em sua opinião, a grande causa da hotelaria e quem é o defensor? Complementando, como dirigente das entidades que estão mais próximas do poder público, o senhor encamparia esse papel?

AS –  Não deve existir protagonismo neste campo e sim uma atuação conjunta em prol da hotelaria, que busca reconhecimento como setor fundamental para o desenvolvimento do turismo brasileiro. Em nossa opinião também não há uma grande e única causa e sim várias situações que envolvem problemas que precisam ser mitigados ou resolvidos, como também desejos que precisam ser materializados. Creio que devemos ter uma bancada no Congresso Nacional comprometida com os meios de hospedagem, uma frente parlamentar dos hotéis brasileiros que nos apoiaria nos encaminhamentos legislativos, e achamos importante elegermos hoteleiros nas Assembleias estaduais e também para a Câmara Federal. Nossa atividade exige conhecimento de detalhes que às vezes um parlamentar não chega a perceber em toda sua complexidade. Os empresários devem assumir suas responsabilidades com relação à sociedade, ao desenvolvimento econômico e à paz social, por isso nossa participação política deve ser estimulada. Momentaneamente exerço a presidência da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, a maior representação sindical patronal do Brasil neste segmento, além de uma diretoria na Confederação Nacional do Comércio de bens, Serviços e Turismo, entidades que colaboram para o desenvolvimento deste setor.

HN – Como a FBHA, particularmente, tem trabalhado em prol do segmento?

AS - No tocante à hotelaria, a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação advoga em consenso, reiterado por nosso Conselho de Representantes, órgão máximo da instituição, pela solução dos direitos autorais na reprodução de obras musicais nos quartos de hotel; criação de legislação formal quanto à taxa de serviço cobrada dos clientes; e por uma alternativa na CLT para os trabalhos de curtíssima duração ou intermitentes. Além de uma série de alterações tributárias e fiscais, entre outras ações. Nossa estrutura com sede em Brasília engloba um escritório de negócios em São Paulo, uma subsede na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma representação em Belo Horizonte e também uma representação em Salvador, na Bahia. Toda essa estrutura visa dar suporte aos nossos sindicatos filiados para que esses, por sua vez, atendam de maneira satisfatória às empresas a eles associados. Trabalhamos com uma assessoria parlamentar na capital federal que oferece suporte jurídico em várias especializações e apoio às questões sindicais.

HN - No ano passado, a FBHA encampou um programa de eficiência energética para a hotelaria, como está a adesão? 

As - Nossa atuação neste campo vem desde 2010, quando assumimos nosso primeiro mandato. À época apoiamos um projeto muito interessante chamado PPH (Programa Pró Hotéis) que visava, mediante uma série de parceiros fornecedores cadastrados de equipamentos correlatos à eficiência energética, oferecer diagnósticos de redução de custos com preços menores dentro de um pacote de consultoria que indicava as intervenções necessárias para obter uma determinada performance de economia. O inusitado e diferenciado é que junto, poderia ser obtido um financiamento subsidiado por uma agência europeia, em que o banco parceiro, facilitava as aquisições. Um dos intuitos seria que o hotel em questão, com a economia obtida, pagasse seu compromisso creditício. Atualmente evoluímos para um consultor interno que faz palestras Brasil afora, destacando inúmeras alternativas existentes como películas para janelas, que diminuem o calor interno preservando iluminação e economia de climatização, dentre outras tantas vantagens. Esse profissional, mediante demanda dos estabelecimentos que assistiram às apresentações, com a interveniência dos sindicatos locais para a hotelaria sindicalizada, fica na cidade para um pré-diagnóstico gratuito, analisando a melhor alternativa para as empresas solicitantes.  Ano que vem, o custo da conta de luz será proibitivo, urge, portanto, desempenhos para minimizar esses impactos nas operações.

HN - A Federação completa 60 anos em 2015, como estão os preparativos?

AS - Em setembro de 2015 completaremos sessenta anos de existência. A Federação possui uma série de serviços prestados à comunidade hoteleira nacional, teve inúmeros próceres de nossa atividade como presidentes, como Corinto de Arruda Falcão, Waldemar Albien e Eduardo Tapajós. Não poderíamos deixar passar em branco esta data. Vamos lançar uma marca comemorativa, que chancelará todos os nossos eventos nestes próximos doze meses; publicaremos um livro da FBHA, que remontará de nossos primórdios até os dias de hoje; inauguraremos a nova sede no Distrito Federal, homenagearemos alguns dos antigos diretores decanos, entre outras ações.

HN - Falando agora da sua atuação ampla junto à Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), qual é o segmento da cadeia produtiva do setor turístico que mais demanda sua intermediação em Brasília?

AS - Com a estruturação da Câmara Empresarial de Turismo recepcionamos quase trinta das maiores entidades representativas do trade no País, bem como replicamos esta mesma organização nos estados, através das Câmaras Empresariais de Turismo das Fecomércios. Portanto, da cadeia turística que tem assento nesta Câmara, nos ocupamos igualmente com todos, no encaminhamento de questões relevantes para cada segmento, junto a nossa estrutura, em Brasília, que interage com diversos atores dos três poderes constituídos, na busca de soluções.

HN - Em prol dos meios de hospedagem, particularmente, qual é o papel da CNC?

AS - Para a hotelaria especificamente, além das quatro entidades que têm lugar na Câmara Empresarial de Turismo (CET), apoiamos de maneira importante através de patrocínios o Conotel, a Equipotel e outras feiras setoriais. Produzimos através do Senac farta literatura profissional para a área, formamos milhares de pessoas em todo o Brasil, em cursos profissionalizantes, a maioria gratuitamente, alguns a distância e outros presenciais.  Somos o braço operacional mais importante do Pronatec no turismo, inclusive para aprimoramento da mão de obra empregada, também através de programas dentro das empresas. Temos centros de formação gerencial para meios de hospedagem, em inúmeros lugares, inclusive com pós-graduação, hotéis escolas, além de carretas do Sistema Nacional de Aprendizagem, que vão aos locais mais inacessíveis levando conhecimento, visando à qualificação dos colaboradores para atender aos hoteleiros.

HN - Que pleitos a Hotelaria levará para o novo presidente do Brasil?

AS - Como resultado de um posicionamento comum das entidades da hotelaria nacional, destaco dez pleitos: 1) Alteração do cálculo da incidência de ICMS sobre a tarifa de energia elétrica dos hotéis. Apesar da variação de alíquota ser grande em todo o País, pois é uma prerrogativa dos estados definirem o percentual, nos causa espécie que não tenhamos um enquadramento semi-industrial (não somos comércio e sim serviços) e que paguemos impostos estaduais sobre demanda contratada no horário de pico (o que já levou a muitas decisões judiciais favoráveis aos meios de hospedagem), pois o tributo deve incidir somente sobre consumo efetivo; 2) Simplificação tributária na abrangência de PIS/Cofins  sobre as inúmeras naturezas das receitas de um hotel. Advogamos que todas elas sejam açambarcadas pelo regime cumulativo em 3,65%; 3) Classificação do turismo receptivo como atividade exportadora, com todos os benefícios advindos da venda ao exterior de serviços hoteleiros nacionais, não só na isenção dos tributos, quanto aos créditos decorrentes, mesmo que haja intermediação de uma operadora de turismo nacional (geralmente micro ou pequena empresa); 4) Melhoria das linhas de crédito para renovação e construção de empreendimentos hoteleiros, principalmente na exigência de garantias, prazos e formas de pagamento; 5) Aplicação de regimes especiais de impostos de circulação de mercadorias para venda de refeições, bebidas e frigobar com percentual único sobre o bruto faturado, retirando a substituição tributária; 6) Diminuição do IPI para alguns equipamentos, para renovação e modernização dos meios de hospedagem; 7) Criação de incentivos fiscais para empresas que invistam na capacitação de seu pessoal de base, dentro da própria firma; 8) Flexibilização da CLT sem perdas de direitos adquiridos e mediante convenção coletiva assinada com os colaboradores, da forma de contratação, criando a prestação de serviço de curtíssima duração ou o trabalho intermitente, principalmente visando à sazonalidade; 9) Promulgação de uma lei para regulamentar a taxa de serviço no intuito de evitar os inúmeros passivos trabalhistas das práticas atuais; e 10) Regulamentação da Lei Geral do Turismo, no tocante a não incidência de direitos autorais dentro dos quartos de hotel por obras executadas por rádio de transmissão, sintonia musical ou sinal de TV.

* Entrevista publicada na edição setembro/outubro da hotelnews

 

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