Jorge Alves, diretor geral da Bristol Hotéis & Resorts
A década que se inicia agora tem tudo para ser uma das mais marcantes da história da hotelaria nacional. Afinal, o Brasil será sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo nos próximos anos: a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016. De acordo com dados do Ministério do Turismo (MTur), o País deve receber cerca de 500 mil turistas estrangeiros para o evento futebolístico, além de movimentar dezenas de milhões de brasileiros pelas cidades-sede. Pesquisa recentemente divulgada pela consultoria Euromonitor International apontou o Rio de Janeiro como o principal destino turístico do hemisfério Sul e o MTur estima que os Jogos Olímpicos devem trazer entre 10% e 15% mais visitantes estrangeiros para a cidade.
O leque de oportunidades é imenso, mas uma breve análise dos últimos anos se faz necessária para que possamos enxergar com clareza o que a próxima década tem a nos oferecer. Em primeiro lugar, vale lembrar que até 2003 o País não contava com um ministério do Turismo. A pasta era sempre alocada em outros ministérios e não havia planejamento estratégico, apenas ações isoladas. A Embratur foi criada em 1966, mas por muitos anos as ações da entidade se limitavam a reforçar a imagem do País das praias, carnaval e futebol. O quadro começou a mudar em 2003, com a implementação do ministério. Naquele momento, todos os programas que diziam respeito à regulamentação e políticas públicas ficaram sob responsabilidade da nova pasta, que passou a desenvolver programas de infraestrutura, regionalização e promoção do turismo interno com maior autonomia e solidez orçamentária. À Embratur, coube a promoção do destino Brasil no exterior.
O Plano Aquarela, que trabalhou a imagem do Brasil nos 18 principais mercados emissores de turistas para o País, levando em conta as particularidades e anseios de cada mercado, foi fundamental para a expansão e diversificação da atividade turística nacional. Pela primeira vez a Embratur teve uma base de dados sólida e confiável, o que possibilitou planejamentos de curto, médio e longo prazos. Com um mix de Marketing consistente, os resultados começaram a aparecer. De acordo com números da Polícia Federal, o número de turistas estrangeiros no Brasil passou de 3,78 milhões, em 2002, para 5,35 milhões, em 2005, um aumento de 41,59%. Em 2009 esse número saltou para 6,48 milhões. A diversificação também foi muito importante. Hoje o Brasil figura em sétimo lugar no ranking da International Congress and Convention Association (ICCA), que leva em conta apenas eventos organizados regularmente por associações internacionais e que passem por pelo menos três países.
A profissionalização do turismo no Brasil proporcionou uma ótima base para as oportunidades e desafios que surgirão ao longo desta década. Muito já foi feito, mas ainda há muito por fazer. É imperativo que os órgãos de turismo dos governos estaduais passem por um choque de gestão semelhante ao experimentado na esfera federal recentemente. O mercado hoteleiro também deve ir além, se organizando e investindo na qualidade dos empreendimentos e principalmente na formação e treinamento constante de seus colaboradores. Além disso, os hoteleiros devem estreitar suas relações com os órgão públicos voltados ao turismo, tornando-se parceiros. Um boom de novos empreendimentos é esperado, e investimentos estaduais e federais para desenvolver e fomentar o turismo nas regiões impactadas pela Copa do Mundo e Olimpíadas são fundamentais para que o Brasil não tenha uma série de “elefantes brancos” após esses eventos.
São Paulo, Rio de Janeiro e Nordeste já possuem bom fluxo de turistas locais e estrangeiros, mas os investidores ainda têm dúvidas com relação a municípios como Cuiabá e Manaus, por exemplo. Essas cidades possuem inúmeras atrações turísticas em potencial, mas é preciso que elas sejam trabalhadas para que se consolidem como pontos turísticos de referência.
Por fim, o hoteleiro terá um papel fundamental na construção da imagem do Brasil nos próximos anos. A qualidade nas instalações é fundamental, mas o grande diferencial será o serviço oferecido. Pequenos detalhes como a atenção aos gostos de cada hóspede, chamá-los pelos nomes e até mesmo um sorriso fazem uma enorme diferença. Ao nosso lado, temos a excelente aceitação do “produto” Brasil no exterior. Pesquisas da Embratur realizadas com turistas que visitaram o País mostram que 86% dos visitantes entrevistados disseram ter intenção de voltar e 99% recomendariam o destino para amigos.
Jorge Alves é diretor geral da Bristol Hotéis & Resorts.
