Suíte lua-de-mel: saleta íntima
EM DESTAQUE, A NATUREZA. TONS DE ÁGUA E DE TERRA REFLETEM ESSA PROPOSTA NA DECORAÇÃO
Empreendimentos hoteleiros de todas as regiões brasileiras realizaram programações em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), data criada pela Nações Unidas para estimular a conscientização sobre a preservação de ecossistemas. Essas iniciativas indicam que o segmento está despertando para a importância que o tema merece, pois ainda é extremamente reduzido tanto o número de estabelecimentos comprometidos com o conceito de hotel verde quanto com a busca por uma certificação de conformidade às normas ambientais.
Mundialmente, essas propostas ainda são incipientes. O conceito de hotel verde insere-se no propósito da Anab (Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica), organização técnico-científica que atua na Itália desde 1989 e a partir de 2005 no Brasil. Silvia Manfredi, diretora-geral, explica que a entidade “tem por objetivo resgatar a ética na arquitetura e promover a sustentabilidade na cadeia produtiva da construção civil. Para isso, atua através da sensibilização, conscientização e, principalmente, através da educação e formação dos agentes produtivos”.
Ela ressalta que “no parecer da Anab, não se pode falar em desenvolvimento sustentável sem se pensar no setor da construção civil, um dos mais produtivos (em torno de 12% do PIB na maioria dos países) e mobilizadores de recursos (consome quase 50% dos recursos naturais), ou seja, pode-se dizer que é o de maior impacto ambiental, social e econômico”. O paradigma da sustentabilidade na construção envolve o desafio de melhorar a produtividade (recursos x mão-de-obra), a qualidade e a durabilidade das edificações, a economia de recursos (energia, água e outros insumos) em todo o ciclo de vida do edifício.
Sobre o setor hoteleiro brasileiro, Sílvia frisa que “tem se mobilizado, mas as iniciativas específicas para a construção de hotéis sustentáveis (desde a concepção, planejamento, projeto e construção) ainda são tímidas. Entretanto, é uma tendência que crescerá por força da legislação (cada vez mais restritiva) e de mercado (custos de financiamento, seguros, necessidade de certificações, etc.).”
CERTIFICAÇÃO
Quanto à certificação, no País, acompanhando a atual demanda, poucas empresas avaliam empreendimentos hoteleiros em busca de uma certificação ambiental. A TÜV Rheinland do Brasil, sob a direção de André Mariotto e de André Tezedor, tem essa proposta. Os diretores informam: “estamos procurando uma parceria para iniciarmos esta certificação em todos os países da América Latina”.
A TÜV Rheinland do Brasil orienta o empreendimento para que conquiste a certificação Eco-Hotel. Os diretores explicam que essa é concedida em função do bom desempenho da empresa, medido através de uma pontuação, com base num questionário desenvolvido, especificamente, para o setor. Esses requisitos avaliam o desempenho ambiental real da empresa. A norma Eco-Hotel surgiu para reduzir custos com recursos energéticos, tornando-o assim mais sustentável, econômica e ambientalmente. Enfatizam: “é um fato amplamente conhecido que um desenvolvimento turístico pouco responsável pode destruir a base de um negócio. Portanto, não é de estranhar que tanto os profissionais do setor como os clientes procurem cada vez mais a compatibilidade da atividade turística com a sustentabilidade”.
Os diretores explicam que, as principais vantagens na conquista da certificação são: redução de custos, maior competitividade, utilização racional das matérias-primas, diminuição de riscos e acidentes, diminuição de riscos ambientais, melhoria na imagem externa da empresa, melhor aceitação social pelo público e aumento nas vendas.
DECORAÇÃO
Com essa visão, o Equip Design 2009, realizado simultâneo à Nova Equipotel (de 14 a 17 de setembro, no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo), terá como tema central “Soluções sustentáveis” (leia matéria, pág. 52). No ano passado, versou sobre hotel verde.
Esse conceito norteia diversas iniciativas do segmento hoteleiro, como ocorre na Casa Cor São Paulo/Casa Hotel 2009 que apresenta, entre outros ambientes, a suíte lua de mel, projetada pelo casal Marco e Volmar Stancati, da Stancati Arquitetura e Design.
Ele ressalta que “inserir essa proposta na hotelaria é mais do que fazer um bom negócio, pois significa divulgar a cultura da responsabilidade ambiental à sociedade, uma vez que os meios de hospedagem são ícones de sonhos e realizações”.
Com 80 m², a suíte lua de mel tem quatro áreas: saleta íntima, closet, dormitório e área de banho. Marco explica: “buscamos um equilíbrio entre o poético e o sensual por meio da identidade ecológica”, diz Marco Stancati. A natureza dá o tom na paleta de cores.
